Agenda paralela do presidente do PMDB ajudou a alavancar candidata em redutos onde favoritismo era do ex-governador do PSDB

Candidato a vice na chapa da presidenciável Dilma Rousseff (PT), o deputado Michel Temer (PMDB) tem sido considerado até por petistas como um dos responsáveis pelo crescimento da candidatura da ex-ministra da Casa Civil em colégios eleitorais onde José Serra (PSDB) era favorito, como São Paulo, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. Ironizado por adversários como ruim de voto (em 2006, se elegeu  por causa do voto da legenda), o vice sempre foi visto como bom articulador político e uniu o partido em torno da candidatura petista.

Avesso ao corpo a corpo das campanhas políticas, Temer cumpre  agenda paralela à da ex-ministra.  O deputado federal percorreu neste mês o Vale do Itajaí acompanhado por lideranças locais do partido e seguiu no último final de semana para o interior paulista. A maior das disputas de Temer tem sido travada com o diretório paulista, no qual Temer mantém sua filiação. Em São Paulo, o PMDB é liderado por Orestes Quércia, candidato ao Senado pela chapa do tucano Geraldo Alckmin e antigo adversário de Temer. Parar barrar a influência de Quércia no diretório paulista, Temer intensificou os compromissos no Estado e se reuniu com líderes em Jales, Ribeirão Preto, Barretos e na própria capital.

Dilma e Temer
Agência Estado
Dilma e Temer

Em entrevista ao iG , Temer disse observar uma versão paulista do voto “Dilmasia”, combinação de voto em Dilma e o candidato ao governo de Minas pelo PSDB, Antonio Anastasia. Segundo ele, eleitores paulistas deverão votar nele próprio para vice - ou seja, em Dilma - e em Quércia. “Os peemedebistas aqui (em São Paulo) estão fazendo uma chapa curiosa, Temer vice e Quércia senador”, afirmou.

No último dia 20, prefeitos paulistas inauguraram um comitê pró-Dilma organizado pelo prefeito de Rio Claro, Du Altimari. Eleito deputado federal por São Paulo, Temer quer consolidar a influencia do partido no maior colégio eleitoral do País.

No diretório de Sorocaba, por exemplo, um informativo traz Quércia para o Senado e Dilma e Temer para o governo federal.

Temer tem feito gestos para desmobilizar prefeitos e candidatos a deputados que tinham, num primeiro momento, declarado apoio ao tucano. Na sexta-feira passada por exemplo, o deputado – que é também presidente nacional do PMDB – visitou cinco municípios de Santa Catarina: Navegantes, Pouso Redondo, Ituporanga, Ibirama e Blumenau.

Em Santa Catarina, o PMDB coligou-se com PSDB para apoiar candidato ao governo pelo DEM, Raimundo Colombo. O partido ficou com vaga de vice e indicou Eduardo Pinho Moreira, que sofre ameaça de ser expulso (PMDB). Até o inicio da corrida eleitoral, ele era o presidente do diretório, mas perdeu o posto a pedido de direção nacional por apoiar o DEM e o PSDB.

“Eu não voto Temer e Dilma Rousseff por causa desta ameaça de expulsão”, disse Eduardo ao iG . “No entanto, não estou pedindo votos para o Serra. Meu foco é campanha estadual”, completou. Em Santa Catarina, porém, Temer conquistou o apoio do prefeito de Florianópolis, Dário Berger, que já foi filiado ao DEM e ao PSDB.

Depois de passar por Santa Catarina, o candidato a vice de Dilma foi para São Paulo, outro Estado em que o PMDB local está coligado com o PSDB e com o DEM. No sábado, Temer esteve nos municípios de Ribeirão Preto, onde inaugurou comitê suprapartidário para Dilma, e Barretos, município em que participou da festa do alho.

Nesta quinta-feira (2), Temer voltará ao Rio Grande do Sul, Estado em que o PMDB tem como candidato ao governo o ex-prefeito de Porto Alegre José Fogaça. Ele enfrenta o ex-ministro Tarso Genro (PT) e a atual governadora Yeda Crusius. Na primeira fase da campanha, Fogaça foi assediado por Serra, já que o tucano liderava as pesquisas no Estado.

Temer, no entanto, montou uma estratégia para evitar que o grupo de Fogaça ajudasse Serra. Por isso, incentivou que o deputado Mendes Ribeiro Júnior fosse coordenador da campanha de Fogaça. “Desde o princípio, eu sempre deixei clara minha posição em favor da Dilma”, disse Mendes Ribeiro.

O iG apurou que o PMDB nacional tem ajudado financeiramente a campanha de Fogaça. Mendes negou o repasse de recursos da campanha de Dilma para a campanha do PMDB gaúcha. “A relação do PMDB do Rio Grande do Sul é com o PMDB nacional”, ressaltou o coordenador da campanha de Fogaça.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.