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Queda do Muro de Berlim


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Merkel, Gorbachev e Walesa cruzam o "checkpoint" simbólico do Muro de Berlim

09/11 - 12:23, atualizada às 14:39 09/11 - Redação

BERLIM - A chanceler alemã, Angela Merkel, o ex-presidente soviético Mikhail Gorbachev e o ex-líder sindical polonês Lech Walesa cruzaram nesta segunda-feira o "checkpoint" simbólico do Muro de Berlim em Bornholmer Strasse, aberto pela primeira vez há 20 anos.

 

Sob uma chuva intermitente, Merkel cruzou sorridente, ao lado de seus convidados e centenas de pessoas, a ponte de Bornholmer Strasse, uma das primeiras passagens fronteiriças abertas em 1989.

"Não é um dia de festa só para a Alemanha, mas para toda a Europa e para as pessoas que conquistaram mais liberdade, desde a Rússia a até muitas outras partes do mundo", disse a chanceler, vestida com um casaco de veludo azul marinho.

Dirigindo-se a Gorbachev, Merkel declarou: "Deixou que as coisas acontecessem, com valentia, e isso foi muito mais do que esperávamos. Obrigada de todo o coração".


Merkel e Gorbachev atravessam o simbólco ponto
de checagem de Bornholmer Strasse / AP

Angela Merkel deu início na manhã desta segunda-feira às cerimônias de comemoração do 20º aniversário da queda do Muro de Berlim, fato histórico que simboliza o fim da Guerra Fria e o começo da reunificação da Alemanha e da Europa.

Merkel compareceu à igreja de Gethsemani, em Berlim Oriental, um dos redutos da dissidência e das manifestações que em 9 de novembro de 1989 obrigaram a Alemanha comunista, a desaparecida República Democrática da Alemanha (RDA), a abrir suas fronteiras.

"A unidade alemã não foi alcançada ainda completamente porque entre o Leste e o Oeste continuam existindo diferenças estruturais", declarou a chanceler em uma entrevista ao canal público de televisão ARD.


Autoridades participam de celebração na igreja de Gethsemane, em Berlim / AP

Os dirigentes dos países da Europa participam nas cerimônias, ao lado dos representantes das quatro potências - Estados Unidos, Rússia, Grã-Bretanha e França - que ocuparam a Alemanha após a rendição nazista em 1945 e até a reunificação em 1990.

Os chefes de Estado e governo devem comparecer à noite à principal cerimônia, no Portão de Brandeburgo, símbolo de Berlim, por onde passava o "muro da vergonha", construído em 1961 pela RDA para impedir a passagem de seus cidadãos ao Oeste. A expectativa é de que 100.000 pessoas assistam o evento.

O presidente russo Dmitri Medvedev participará na cerimônia, assim como o último dirigente da União Soviética, Mikhail Gorbachev, que em 1989 decidiu não reprimir os protestos, permitindo assim que os países satélites da URSS recuperassem a liberdade.

O presidente americano Barack Obama, grande ausente das cerimônias, será representado pela secretária de Estado Hillary Clinton.

"O muro que encarcerava metade de uma cidade, metade de um país, metade de um continente foi arrastado pelo espírito indomável dos homens e das mulheres", afirma o primeiro-ministro britânico Gordon Brown, segundo o texto de um discurso divulgado com antecedência.

Angela Merkel, natural da Alemanha Oriental, lembrou ter ficado supresa com a queda do Muro. "Mesmo nos anos 80 não acreditava que o Muro cairia comigo viva", declarou ao jornal Bild.

Queda do Muro de Berlim

Em 9 de novembro de 1989, o regime comunista, pressionado por milhares de manifestantes, decidiu conceder a liberdade de movimento a seus cidadãos, permitindo viagens ao exterior.

A multidão correu para os pontos de passagem do Muro, cujas barreiras haviam sido suspensas, e os alemães do Leste e Oeste viveram uma incrível noite de festejos, ao mesmo tempo que os primeiros golpes de marreta começavam a derrubar o muro.

Na noite desta segunda-feira, o ex-presidente polonês Lech Walesa, fundador do sindicato Solidariedade, e o ex-dirigente húngaro Miklos Nemeth devem derrubar o primeiro painel de uma série de painéis de 2,5 metros de altura que simbolizam o Muro de Berlim, do qual restam apenas alguns vestígios para os turistas.


"Muro" de dominós já está pronto para ser derrubado
em frente ao Portão de Brandemburgo / AFP

Nemeth permitiu que os alemães orientais cruzassem a fronteira austro-húngara, dando início ao êxodo que estimulou as manifestações contra o regime.

Shows ao ar livre e fogos de artifício vão animar a festa, enquanto os convidados de Merkel serão recebidos em um jantar de gala na sede da chancelaria.

Veja no infográfico como era a divisão da Alemanha e um raio-x do MuroMuro de Berlim

 

* Com EFE e AFP

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