09/11 - 18:07, atualizada às 19:11 09/11 - Redação
BERLIM - Um dominó gigante que simbolizava o Muro de Berlim foi derrubado, nesta segunda-feira, em um dos momentos mais importantes das comemorações do 20º aniversário da reunificação da Alemanha.
| AFP |
![]() |
|
Peças de dominó que simboliza Muro são derrubadas |
Coube ao ex-presidente da Polônia e Prêmio Nobel da Paz, Lech Walesa, empurrar a primeira das cerca de mil peças que formam o dominó, ao longo de 1,5 quilômetros pelo centro da capital alemã.
Walesa representou o país onde começou o desmoronamento da chamada "Cortina de Ferro". O político polonês participou do ato simbólico a partir da sede do Parlamento federal, o Reichstag, enquanto, em um outro extremo, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso fazia o mesmo.
A festa terminou com um show de fogos de artifício ao som da música "We Are One", criada pelo DJ alemão Paul van Dyk especialmente para a ocasião.
A cerimônia ocorreu logo após a chanceler alemã Angela Merkel e os chefes de Estado e de governo de 30 países cruzarem o Portão de Brandemburgo - símbolo da divisão de Berlim.
Em discurso, Merkel definiu a queda do Muro como uma "vitória da liberdade" que deve ser defendida diariamente. "O dia de hoje, há 20 anos, foi um marco feliz na história da Alemanha", afirmou, acrescentando que tal momento não teria sido possível "sem a ajuda generosa de nossos aliados".
"Celebramos a coragem e a vontade inabalável de milhares de pessoas na Alemanha Oriental, mas também celebramos as transformações de nossos amigos no leste e no centro da Europa que prepararam a queda do Muro", disse Merkel.
Participaram da cerimônia o presidente russo Dmitri Medvedev, assim como o último dirigente da União Soviética, Mikhail Gorbachev, que em 1989 decidiu não reprimir os protestos, permitindo que os países da URSS recuperassem a liberdade.
| AP |
![]() |
|
Protegendo-se da chuva, líderes passam por Portão de Brandemburgo |
Mais cedo, Merkel, Walesa e Gorbachev cruzaram o "checkpoint" simbólico do Muro de Berlim em Bornholmer Strasse, aberto pela primeira vez há 20 anos.
Sob uma chuva intermitente, Merkel cruzou sorridente, ao lado de seus convidados e centenas de pessoas, a ponte de Bornholmer Strasse, uma das primeiras passagens fronteiriças abertas em 1989.
"Não é um dia de festa só para a Alemanha, mas para toda a Europa e para as pessoas que conquistaram mais liberdade, desde a Rússia a até muitas outras partes do mundo", disse a chanceler, vestida com um casaco de veludo azul marinho.
Dirigindo-se a Gorbachev, Merkel declarou: "Deixou que as coisas acontecessem, com valentia, e isso foi muito mais do que esperávamos. Obrigada de todo o coração".
Angela Merkel deu início na manhã desta segunda-feira às cerimônias de comemoração do 20º aniversário da queda do Muro de Berlim, fato histórico que simboliza o fim da Guerra Fria e o começo da reunificação da Alemanha e da Europa.
Merkel compareceu à igreja de Gethsemani, em Berlim Oriental, um dos redutos da dissidência e das manifestações que em 9 de novembro de 1989 obrigaram a Alemanha comunista, a desaparecida República Democrática da Alemanha (RDA), a abrir suas fronteiras.
"A unidade alemã não foi alcançada ainda completamente porque entre o Leste e o Oeste continuam existindo diferenças estruturais", declarou a chanceler em uma entrevista ao canal público de televisão ARD.

Autoridades participam de celebração na igreja de Gethsemane, em Berlim / AP
Os dirigentes dos países da Europa participam nas cerimônias, ao lado dos representantes das quatro potências - Estados Unidos, Rússia, Grã-Bretanha e França - que ocuparam a Alemanha após a rendição nazista em 1945 e até a reunificação em 1990.
"O muro que encarcerava metade de uma cidade, metade de um país, metade de um continente foi arrastado pelo espírito indomável dos homens e das mulheres", afirma o primeiro-ministro britânico Gordon Brown, segundo o texto de um discurso divulgado com antecedência.
Angela Merkel, natural da Alemanha Oriental, lembrou ter ficado supresa com a queda do Muro. "Mesmo nos anos 80 não acreditava que o Muro cairia comigo viva", declarou ao jornal Bild.
Queda do Muro de Berlim
Em 9 de novembro de 1989, o regime comunista, pressionado por milhares de manifestantes, decidiu conceder a liberdade de movimento a seus cidadãos, permitindo viagens ao exterior.
A multidão correu para os pontos de passagem do Muro, cujas barreiras haviam sido suspensas, e os alemães do Leste e Oeste viveram uma incrível noite de festejos, ao mesmo tempo que os primeiros golpes de marreta começavam a derrubar o muro.
Veja no infográfico como era a divisão da Alemanha e um raio-x do Muro
* Com EFE e AFP
Leia mais sobre Muro de Berlim

Publicidade
