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Chip Tegra é menor e consome menos

03/09 - 14:18 - Agência Estado

Chip Tegra é menor e consome menos Por Otávio Dias e Jocelyn Auricchio San Jose, California, 01 (AE) - Que tal levar no bolso um misto de telefone e computador, com tela sensível ao toque semelhante à do iPhone, que permite navegar na internet, jogar games sofisticados e assistir a filmes em alta definição e, com um simples cabo, poder conectá-lo a uma TV de plasma ou LCD para exibir suas fotos, seus sites e vídeos preferidos em uma tela de grandes dimensões? Um protótipo desse aparelho - cuja óbvia e, ao mesmo tempo, surpreendente utilidade é tão fácil de compreender e desejar - foi exibido na semana passada durante a Nvision 2008, em San José, capital do Vale do Silício, região da Califórnia que concentra grande número de empresas de tecnologia. Foi a primeira edição de um evento que pretende ser anual, promovido pela Nvidia, um dos principais desenvolvedores de processadores gráficos do mundo.

"O telefone celular será o próximo computador e nós estamos totalmente focados em levar aos dispositivos ultraportáteis toda a nossa experiência e capacidade em computação visual", disse Jen-Hsun Huang, presidente e executivo-chefe da Nvidia, que é líder do mercado mundial de placas de vídeo, à frente da AMD/ATI. No mercado de chips gráficos integrados às placas-mãe, a Nvidia está atrás da Intel.

Menos de uma semana antes de Jen-Hsun afirmar estarmos prestes a viver "a segunda revolução na computação pessoal", a Intel também havia anunciado que usará seu peso para impulsionar o mercado dos MIDs ("mobile internet devices, dispositivos móveis para a internet, em inglês). "Em 2015, teremos 15 bilhões de dispositivos conectados à internet, dez vezes mais do que hoje", afirmou Pat Gelsinger, vice-presidente da Intel, na abertura do Intel Developer Forum (IDF), principal evento anual da empresa, realizado na semana retrasada em San Francisco.

A Nvidia fala em smartphones com a capacidade de um computador, enquanto a Intel prefere empregar o termo MID, um dispositivo ultraportátil que acesse a internet de forma fácil e rápida, mas que também pode ser ligado para falar via redes de celular.

Do ponto de vista de quem usa o aparelho, a diferença nos discursos das duas empresas, cuja rivalidade tem crescido nos últimos meses e promete se intensificar nos próximos anos, é uma questão de nomenclatura. Em ambos os casos, este aparelho realizará diversas atividades que caracterizam a web 2.0, como tirar fotos e fazer filmes e postar imediatamente em redes sociais, escrever em blogs, conversar com outros internautas instantaneamente, assistir a filmes e vídeos em alta definição, jogar videogames, etc.

Para que os smartphones se transformem em PCs de verdade ou os MIDs realmente cheguem às mãos de muitas pessoas, eles precisam de três coisas: serem ultraportáteis (pequenos, leves e, claro, atraentes), terem várias opções de conectividade (WiMax, Wi-Fi, Bluetooth, voz via rede de telefonia celular, etc.) e necessitam gastar pouca energia para funcionar por horas a fio.

Já há chips para dispositivos portáteis que, em maior ou menor grau, atendem a vários desses requisitos. O iPhone já existe há mais de um ano, está na segunda versão (3G) e continua bombando; celulares robustos de marcas como Nokia, Samsung, HTC, LG, Sony Ericsson e Motorola, entre outras, sempre trazem novidades.

Esses aparelhos funcionam com chips de empresas como ARM, Qualcomm, Samsung, Sony e Broadcom, entre outras, que continuarão a disputar o mercado. O que chama a atenção - e esse foi um dos principais destaques tanto do IDF quanto do Nvision, nas duas últimas semanas na Califórnia - é a entrada contundente da Intel, maior fabricante de processadores para desktops e notebooks do mundo, e da Nvidia, importante na área de processadores gráficos, nessa aguerrida disputa.

No início de abril a Intel lançou o Atom, que é bem menor (tem duas vezes menos componentes) e gasta até dez vezes menos energia (por enquanto) do que chips anteriores da empresa, sem perda de eficiência. Baseado na arquitetura x86, a mesma dos demais chips da Intel, é compatível com todos os softwares e aplicativos desenvolvidos pela empresa e pelos seus parceiros, como Microsoft e Linux, entre outros. Permite rodar Windows Vista, XP e vários sistemas operacionais livres (Ubuntu, Mandriva, etc.).

O resultado, segundo a Intel, é que o internauta terá nos dispositivos ultraportáteis uma experiência de navegação muito semelhante à que costuma ter em notebooks ou mesmo desktops.

Exatos dois meses depois, a Nvidia lançou o Tegra, descrito como "um-computador-em-um-chip", que integrou uma unidade de processamento de dados (CPU) ARM (também usada no iPhone) à experiência da Nvidia em computação visual, com consumo de energia extremamente baixo. "Quando começamos a desenvolver o Tegra, nossos engenheiros receberam a missão de construir um chip que consumisse zero de energia", disse Jen-Hsun Huang.

Não chegou a tanto: segundo a Nvidia, o protótipo mostrado permite ouvir cerca de cem horas de música e assistir a cerca de dez horas de vídeo em alta definição sem recarga de bateria.

A Nvidia originalmente desenvolve GPUs (o equivalente às CPUs dedicadas a gráficos) para jogar videogames e outras aplicações que exigem grande capacidade de processamento visual. Mas, com a crescente importância da experiência visual no dia-a-dia dos internautas, a empresa agora quer ter um papel mais central dentro do computador e começa a entrar em rota de colisão com a Intel.

Isso é problema das duas empresas e de outros de seus concorrentes. Para o consumidor, o surgimento de novos chips desenvolvidos especificamente para dispositivos ultraportáteis significa que smartphones, MIDs ou como se queira chamar esses aparelhos ficarão cada vez melhores. E, na hora da compra, ele terá de entender o que está por trás de termos como Atom, Tegra, etc. É bom se preparar para isso.

O CHIP - Em vez de seguir a tendência da Intel e criar processadores apenas para netbooks, a Nvidia decidiu investir no promissor mercado de smartphones, os telefones inteligentes, no estilo do iPhone, que fazem de tudo. A proposta é simples: mesclar os elementos de aparelhos de mídia, como o iPod e reprodutores de MP4 com a funcionalidade dos aparelhos que navegam pela web e mandam e-mails. E o mais importante: com alta performance e um baixíssimo consumo de energia.

Enquanto o Atom precisa de três processadores para oferecer uma solução completa de mobilidade, o Tegra usa apenas um chip. Em tamanho absoluto, o Tegra mede menos de 1/10 do que o Atom e reúne capacidade de vídeo, processamento e comunicação.

Trocando em miúdos, além de muito mais barato de se fabricar, segundo a Nvidia, o Tegra é muito mais poderoso, mais econômico e muito mais eficiente que o Atom.

Mas o interesse da Nvidia não se limita apenas aos smartphones. A idéia é oferecer o Tegra em versões mais poderosas para integrar MIDs de altíssimo desempenho e baixo consumo energético, com a vantagem de garantir, sem nenhum tipo de sacrifício, decodificação de vídeo em alta definição, além de gráficos tridimensionais capazes de fazer justiça à maioria dos jogos 3D do mercado.

De acordo com a Nvidia, um dispositivo equipado com Tegra teria saída HDMI integrada, suporte a dispositivos USB, monitores (usando a nova interface Video Port, vista em alguns Macs) e cartões mini-SD, com autonomia de bateria jamais alcançada por nenhum aparelho similar até hoje. A previsão é que no próximo ano os primeiros aparelhos equipados com o chip cheguem ao mercado.




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