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Pichando monumentos sem causar danos

06/08 - 14:25 - Agência Estado

Pichando monumentos sem causar danos Por Lucas Pretti São Paulo, 06 (AE) - A foto mostra o Coliseu, em Roma, pichado. Quer dizer que o monumento, que na fase áurea já abrigou lutas de gladiadores, foi sumariamente pichado? Não exatamente.

A mesma "tinta eletrônica" usada na Itália estará em São Paulo a partir desta semana e deve pichar prédios históricos na Avenida Paulista e no Parque do Ibirapuera. São os artistas do Festival Internacional de Linguagem Eletrônica (File), que a cada ano buscam mais as ruas em experiências de imersão - e cativam o público com a união nada casual de arte e tecnologia.

A nona edição do File começa amanhã nas sedes habituais, a Galeria de Arte e o Teatro Popular do Sesi, no prédio da Fiesp, na Avenida Paulista. Estarão lá até o dia 31 de agosto cerca de 300 artistas de 30 nacionalidades com experimentos em áreas tão dissonantes quanto próximas: música, games, cinema, artes visuais.

O experimento L.A.S.E.R. Tag da foto acima é do grupo norte-americano Graffiti Research Lab e só funciona com a interação do público. Quem estiver passando na rua no momento da instalação pode escrever o que quiser em escala gigantesca nos prédios-alvo. No caso de Roma, rolou uma declaração de amor à cidade. A intenção do File é esta: usar experimentos digitais para dar voz ou tocar de alguma forma o público.

"Queremos mostrar que o mundo de hoje se reúne num zeitgeist, está tudo interligado", afirma o artista eletrônico Ricardo Barreto, que divide a organização do evento com Paula Perissinotto. "Nada é apenas tecnologia, apenas arte, apenas música."
A programação do festival tenta pincelar todos os temas. Neste ano, por exemplo, o destaque é o cinema. Brasileiros poderão assistir, pela primeira vez, filmes captados e exibidos com a tecnologia 4k, pouco conhecida e ainda incipiente no mundo cinematográfico (apesar de ter adeptos como o diretor Steven Soderbergh no longa Guerrilla).

É a "ultradefinição" de imagem, duas vezes superior ao padrão Full HD, com 4.096 linhas horizontais, e 24 vezes melhor do que a TV tradicional. O primeiro filme brasileiro produzido em 4k, Enquanto a Noite Não Chega, estréia hoje no File.

ARTE ‘ÚTIL’ - Além de criar um espaço para artistas de diversas origens mostrarem a evolução de pesquisas de linguagem, o File quer ser uma incubadora de projetos digitais. A idéia é mostrar que as "viagens" divertidas e às vezes sem sentido aparente podem ser "úteis" para os interessados em dinheiro.

O subfestival dentro do File ganhou o nome de Inovação, para projetos que transitem entre os campos de tecnologia, arte e economia. Quem promete chamar a atenção aqui são pesquisadores da University of Plymouth, no Reino Unido. Eles criaram sensores que captam ondas cerebrais para compor músicas a partir do pensamento. Louco, não? Imagine quanto lucraria um game inspirado nessa tecnologia. Uma amostra do que estará no Brasil pode ser vista em tinyurl.com/56laoo.

Falando em música, o File também promove o Hipersônica, festival eletrônico com artistas do mundo underground. Oito grupos de pesquisadores dividirão o comando das baladas nesta semana. Quem for não ouvirá música tradicional.

"Partimos de uma série de instrumentos-máquinas (vitrola-preparada, reles, máquinas, brinqu edos, cabos, câmeras de vigilância, etc.) para criar lugares e sonoridades improváveis", afirma o músico, psicólogo e semioticista Giuliano Obici, do Nmenos1, que tocará na sexta-feira, a partir das 20h. A grade está no site www.file.org.br.

Como se vê, resumir o File a tecnologia é pouco. Melhor recorrer a um dos conceitos de arte, o da fase inicial do filósofo Friedrich Nietzsche. Afinal, o que é arte se não o caminho para decifrar - e se defender - do mundo ao redor?




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