Entre a película e o digital, a história de um filme artesanal Por Bruno Galo São Paulo, 06 (AE) - "Eu sou um homem do artesanato", afirma Matheus, que se diz seduzido pelas práticas manuais. Essa fascinação do ator pelo que é artesanal somado à sua surpresa frente aos avanços tecnológicos está claramente exposta nas escolhas feitas por Matheus em sua estréia na direção de um longa.
Além de "escrever a mão" toda a primeira versão do roteiro, Nachtergaele desenhou de próprio punho todos os storyboards das principais cenas de "A Festa da Menina Morta".
Chegada a hora de filmar, a opção pela película parecia óbvia ao diretor estreante. Assim sendo, as filmagens ocorreram em Super 16, que, mais tarde, foi ampliado para 35 mm para só depois ser finalizado e editado. "Tomamos essa decisão porque queríamos diminuir o tamanho do equipamento para filmar na Amazônia. Além disso, há uma certa granulação que o filme ganha nessa ampliação, que me interessava", conta o detalhista Matheus que teve como diretor de fotografia Lula Pereira, de "Tropa de Elite" e "Lavoura Arcaica".
Para Matheus, o uso do digital não cabia em seu filme de estréia, que assim como ele deveria ser o mais artesanal possível. Apesar disso o diretor admite: "Tenho consciência de que cada vez mais o digital vai imperar, até porque ele barateia o processo de filmagem."
A idéia do filme de temática barroca surgiu durante as filmagens de "O Auto da Compadecida", em 1999, quando Matheus teve contato com uma cerimônia que misturava forró com celebração de fé, no interior da Paraíba. A comunidade local atribuía poderes milagrosos aos restos de um vestido de uma menina desaparecida na região. Esse fiapo de história que ele testemunhou serviu de base para seu roteiro original.
O longa pequeno custou apenas R$ 1,2 milhões e poderia passar despercebido na opinião de Matheus se não fosse por Cannes. "O festival é lindo. Apesar do tamanho ele ainda privilegia o cinema de arte." Arte essa que aqui foi feita por Matheus de forma artesanal.