28/07 - 09:21 - Agência Estado

Cada vez mais as pessoas estão entregando seus computadores à internet. Com a proliferação de softwares que rodam na web e não precisam mais ser baixados no desktop ou no laptop, tudo o que essa nova geração de nômades digitais necessita para acessar suas ferramentas de trabalho ou seus arquivos de fotos, vídeos, etc, é de uma máquina conectada à rede, prática e acessível.
Sendo assim, por que não considerar ter um computador ultraportátil, passível de ser carregado para cima e para baixo como uma agenda dentro de qualquer bolsa? Os chamados "netbooks" ou mininotebooks, como o Eee PC, da taiwanesa Asus, e o Mobo, da brasileira Positivo, já à venda no Brasil, buscam atrair justamente quem quer ter uma máquina pequena e leve e, ao mesmo tempo, relativamente barata: em torno de R$ 1 mil.
Em junho, a HP também lançou seu Mini-Note PC, cujos modelos custam de R$ 1.499 a R$ 1.999, apenas para o mercado corporativo. Na semana passada foi a vez da Dell anunciar seu Inspiron Mini, em evento realizado na sede da empresa, em Round Rock, no Texas (EUA). Caixas dispostas de forma displicente no chão de um dos laboratórios do centro de design da Dell, em Round Rock, Texas, entregaram o nome comercial do mininotebook da Dell, apesar da tentativa da empresa de não dar muitas informações sobre o produto.
Todos os dispositivos acima citados têm tela que mede entre 7 e 9 polegadas, pesam menos de 1,5 quilo e usam processador de baixo consumo para assegurar uma longa jornada sem necessidade de recarga de bateria. O espaço extra no disco rígido (HD) liberado quando se abre mão de aplicativos instalados na máquina e se mantém documentos, vídeos, fotografias e músicas na web sumiu, simplificando as máquinas, que se tornam uma boa opção como um segundo computador pessoal.
Esses notebooks simplificados e mais baratos também têm sido propagandeados como uma boa opção para a adoção em escolas. É o caso, por exemplo, do XO, desenvolvido pela fundação One Laptop per Child, cujo objetivo inicial era produzir um notebook por US$ 100 e vendê-lo em grandes quantidades a governos de países em desenvolvimento, que, em seguida, disponibilizariam as máquinas a estudantes do sistema público.
Até agora, esse projeto não se tornou realidade por dois motivos: a máquina ainda não chegou ao preço prometido, e não houve adesão em grande escala por parte de governos ao redor do mundo.
Processador de último tipo
Ainda sem previsão de chegada às lojas (inclusive no Brasil) ou preço oficial definitivo, o Inspiron Mini exibido a jornalistas europeus e latino-americanos nas instalações da empresa de Michael Dell em pleno deserto americano vinha equipado com uma tela de 9" e o processador Intel Atom N270, de 1,6 GHz - recém-lançado pela Intel para ser usado em dispositivos móveis como netbooks e celulares -, 1 GB de memória RAM e chipset gráfico Intel 945 Express.
No disco rígido, de apenas 8 GB (gigabytes), a cara tecnologia SSD, caracterizada pelo uso exclusivo de transistores para armazenagem permanente de dados - como em uma memória flash - em detrimento das partes mecânicas dos HDs de computadores tradicionais.
A primeira leva deve sair da fábrica com o sistema operacional Linux, para tornar possível o preço estimado de US$ 300. Mas o Windows XP vem a reboque, como entregou o protótipo vislumbrado nos EUA, que rodava o sistema operacional da Microsoft anterior ao Vista.
"Nosso maior desafio foi espremer uma tela de 9 polegadas e um teclado confortável num modelo não maior que o Eee PC (da Asus, referência nesse tipo de produto)", explicou o designer Mike Smith, admitindo a inspiração na concorrência, que traz um monitor de 7".
Para resolver o dilema do teclado, a equipe de designers da Dell integrou a linha de funções à seqüência alfabética A-L (segunda linha do teclado QWERTY). A digitação é confortável, mas em sacrifício do clique único para acessar determinadas funções. Por exemplo, em vez de apertar a tecla F5 para recarregar uma página, no Inspiron Mini é preciso apertar a combinação Fn+G.
Disponível em branco, preto e vermelho, o Inspiron Mini ainda pode mudar até chegar ao mercado americano e de outros países. Como fotos não foram autorizadas no centro de design da Dell, o suspense - e a curiosidade - em relação a possíveis novidades só fez crescer.
"Caso os portáteis de 9 sejam bem recebidos e rendam, não vejo barreiras para a Dell entrar também no mercado de celulares", disse Ron Garriques, responsável pela linha de produtos para consumidores finais da Dell. O IDC prevê um salto na quantidade de mininotes vendidos no País de 500 mil unidades, em 2007, para 9 milhões, em 2012, o que parece indicar um caminho sem tempestades para o sucesso das maquininhas.
Nova fase
Antes associada a computadores sóbrios mais voltados para o ambiente corporativo, a Dell está diversificando seu portfólio de produtos, dando maior importância ao design, entre outras coisas. "A forma como descrevo essa mudança é que passamos a pensar não em termos de custos, mas de valores. Algumas coisas valem o investimento porque os consumidores as apreciam e passam a ver nossos produtos como mais valiosos", disse Anne Camden, relações públicas da Dell.
Entre as novidades está o lançamento de oito cores de notebooks, entre elas laranja e rosa. Para o mercado americano, há ainda a previsão de lançamento de uma série limitada e especial com tampas trazendo obras de artistas locais. "Ainda precisamos aprimorar a técnica de pintura para fotografias, mas no futuro será possível ter um notebook com a foto da família impressa na tampa", disse Anne.
Acabamentos que lembram metal escovado e que utilizam magnésio, material que garante mais leveza, também foram incorporados.
Já a segunda geração dos tablets PC - portáteis com tela sensível ao toque - Latitute XT visa atrair "o nômade digital, que espera durabilidade e resistência a choques em seus equipamentos e, ao mesmo tempo, um visual atraente", disse a diretora da área, Margaret Franco.
Lançada em dezembro passado, a primeira geração do Latitude XT carecia de um sistema de gerenciamento eficiente para multitoques. As nova máquinas prometem vir com um software que entenderá comandos como zoom e rolagem de telas por sinais feitos com o indicador e o polegar simultaneamente, semelhante ao que acontece com o iPhone e o iPod Touch, da Apple.
Atenção: quem pagou quase R$ 7 mil pela máquina no ano passado poderá atualizar o software no site oficial da Dell.
"Essa é apenas a ponta do iceberg. Esperem muitas novidades da Dell nos próximos meses", prometeu Margaret. "Queremos encontrar soluções que tornem mais fácil para as pessoas trabalharem juntas, compartilharem suas criações e se divertirem", completou Ron Garriques.
As informações são do O Estado de S. Paulo/Link

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