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Jogos musicais são as estrelas da E3

23/07 - 14:12 - Agência Estado

Jogos musicais são as estrelas da E3 Por Jocelyn Auricchio São Paulo, 23 (AE) - O sucesso estrondoso de Guitar Hero (GH) criou uma verdadeira revolução na indústria dos games. Todos querem ser estrelas do rock, com direito a banda, fãs e instrumentos.

Os jogos musicais foram as grandes estrelas da E3, a maior feira mundial de videogames, deste ano. Muito mais que brinquedos eletrônicos para metaleiros frustrados, os novos jogos seguem a tendência de popularização dos videogames. Existe um tipo de jogo para cada gosto.

A Activision mostrou o aguardado Guitar Hero: World Tour. Bastante parecido com Rock Band, a nova versão do sucesso permitirá que se forme uma banda completa, com bateria, baixo e vocal.

Mas, em vez de simplesmente copiar o irmão mais novo - Rock Band foi criado pelo mesmo estúdio de desenvolvimento responsável por Guitar Hero -, a nova encarnação de GH vai muito além.

O que primeiro salta aos olhos é a qualidade dos instrumentos. Totalmente sem fios, os controles do jogo são de uma categoria superior que os usados em Rock Band. A bateria, por exemplo, além de contar com os pratos, é feita em material muito mais resistente. O equipamento "sente" a intensidade com que se toca, modificando a sonoridade e até o volume do som. Os pratos - que ficaram de fora em Rock Band - também estão presentes.

Mas o que mais impressionou em GH IV foi a adição de um modo de composição. Além de brincar com as músicas presentes no jogo, é possível criar músicas de verdade e compartilhá-las via internet com toda a comunidade de jogadores.

O concorrente Rock Band 2, da MTV Games, não deixa por menos. Além de incluir um novo modo em que o jogador cria todo o visual da banda, com direito até a foto oficial, o novo Rock Band virá com um diferencial e tanto: a esperada nova música do Guns n’ Roses, "Shackler’s Revenge", faixa do CD Chinese Democracy, vai estrear oficialmente em Rock Band 2. Seguindo a tendência de quebra de exclusividades, tanto o novo GH quanto Rock Band 2 serão lançados para todos os consoles de videogame do mercado.

A Konami, que criou o gênero de jogos musicais na década de 1990 mas nunca conseguiu o sucesso alcançado por Guitar Hero e Rock Band, finalmente correu atrás do prejuízo e apresentou Rock Revolution. O jogo é uma espécie de mistura entre sua série de jogos de karaokê, Karaoke Revolution, com Guitar Freaks e DrumMania. A grande questão é se a empresa conseguirá colocar no jogo um acervo de músicas com a qualidade e quantidade esperada pelos jogadores. Guitar Freaks - uma espécie de Guitar Hero primitivo - e DrumMania - um frenético jogo de bateria no mesmo estilo de Rock Band - sempre foram muito mal no Ocidente pois, além de difíceis, nunca tiveram um bom acervo musical.

A Nintendo, de olho no crescimento dos jogos musicais, colocou todas as suas fichas em Wii Music. Projetado por Shigeru Miyamoto, o gênio da empresa japonesa, Wii Music permite aos jogadores usarem os controles sensíveis ao movimento do console para tocar saxofone, violino ou outros instrumentos. No total, são 60 instrumentos que podem ser simulados.

A proposta do jogo é criar uma experiência musical mais interativa, de olho na diversão e sem compromisso com o realismo. Por isso mesmo, em vez de controles em forma de instrumentos, Wii Music não utiliza qualquer acessório. Basta usar o Wiimote e o nunchaku para fazer música. Quando foi mostrado pela primeira vez, na E3 de 2006 como uma demonstração do potencial do Wii, Wii Music causou verdadeiro furor entre a imprensa e os jogadores. O game será lançado exclusivamente para Wii.

Karaokê - A Sony, com Singstar, seu game de karaokê, investe no poder que têm para atrair grandes sucessos da atualidade. Com um setlist pop, que conta com Scissor Sisters, Gwen Stefani e Rihanna, o alvo são jogadores que gostam de cantar no chuveiro.

A Microsoft, também atenta ao sucesso de Singstar, colocou nas mãos da iNiS, a empresa japonesa responsável pelo divertido game de música Elite Beat Agents, do Nintendo DS, a responsabilidade de criar uma nova experiência de karaokê para o Xbox 360. O resultado foi uma das novidades mais legais mostradas na E3, o game Lips.

Lips, além de trazer uma lista de músicas de peso, do mesmo calibre que o concorrente Singstar, usa microfones especiais, que além de acender no ritmo da música cantada, reagem a movimentos. Não basta apenas cantar; o jogador precisa se comportar como um verdadeiro crooner, mostrando presença de "palco" para progredir no jogo.

Mas o melhor de Lips é a habilidade - inédita - de usar qualquer música que o jogador quiser e transformá-la em karaokê. Para que a mágica aconteça, basta conectar um iPod ou um Zune ao Xbox 360 e selecionar a música desejada. Segundo a iNiS, os vocais são praticamente eliminados e a letra, que pode ser baixada pela internet ou vir embutida na música, na forma de tags gravados pelo jogador, é sincronizada e incorporada ao jogo pelo tempo que o tocador de MP3 ficar plugado.

Ainda não dá para dizer se a onda dos jogos musicais veio para ficar, mas uma coisa é certa: a indústria da música ganhou um novo fôlego graças a esse tipo de game - e a dos games, uma nova tendência, cada vez mais sólida e, aparentemente, menos passageira.




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