Era da exclusividade está chegando ao fim Por Jocelyn Auricchio São Paulo, 23 (AE) - A E3 2008 também serviu para sinalizar que as exclusividades estão com os dias contados. Em um anúncio bombástico, que encerrou a apresentação da Microsoft, Yoshi Wada - presidente da Square-Enix, empresa responsável pela maioria dos bons RPGs vindos do Japão - anunciou que o esperado Final Fantasy XIII (FFXIII) seria lançado também para Xbox 360.
Foi um golpe direto na Sony, que tinha no game uma de suas maiores apostas. Quando o PlayStation 3 foi anunciado, um dos jogos exibidos como exclusivos foi justamente FFXIII.
A exclusividade por console sempre foi uma prática comum na indústria dos jogos eletrônicos. Iniciada na era dos 16 bits, quando Sega e Nintendo eram rivais ferrenhas, o conceito de exclusividade se manteve forte por todas as gerações de consoles que vieram depois. Por privilégios como isenção de royalties, ajuda financeira ou até mesmo custos 100% bancados pelos fabricantes de consoles, algumas empresas fazem acordos de exclusividade total ou parcial. Um game bom tem potencial para vender muitos consoles e ainda pode determinar a escolha de um jogador sobre a escolha do videogame em que vai investir.
A série Final Fantasy já foi pivô de uma enorme mudança no mercado. Frustrada pela limitação técnica do Nintendo 64, a Square deixou de lado o pacto de exclusividade com a Nintendo e abraçou o PlayStation original como o console que receberia o aguardado Final Fantasy VII. O game foi um dos grandes responsáveis pela popularização do PlayStation e foi fundamental para que a Sony dominasse o mercado. Agora, quase 11 anos depois, a Square abandona a exclusividade que tinha com a Sony, dando um trunfo enorme para a Microsoft.
Apesar de vender muito bem no Ocidente, a Microsoft sofre muito com a rejeição do mercado japonês ao Xbox 360. Um lançamento do calibre de Final Fantasy XIII poderia fazer o preconceito cair e romper a última barreira para que o Xbox 360 tenha a buscada abrangência global.
Especula-se que a soma de dinheiro oferecida pela quebra de exclusividade foi irrecusável, a ponto de cobrir boa parte dos custos de produção do jogo multimilionário. A Sony se declarou profundamente decepcionada pela decisão da Square-Enix.