Eles são tão jovens quanto o universo preferencial que pesquisam, a geração de 18 a 24 anos que nasceu sob o impacto da era digital e pensa o mundo através de telas, seja do computador, do celular ou da televisão. Esse fato não só se reflete no nome da empresa de pesquisas de tendências e comportamento que fundaram há quatro anos, a Box1824, como tornou os quatro jovens de Porto Alegre conhecidos fora das fronteiras nacionais.
Ao se especializarem em traduzir o que pensam e como agem as novas gerações em países emergentes - afinal, o negócio deles nasceu no Brasil -, se qualificaram para atrair clientes globais que querem compreender esse público para vender produtos e serviços em praças similares como Índia, Rússia e China.
"Somos uma empresa brasileira que tem um olhar aclimatado para os países em desenvolvimento e isso é novo e necessário no atual cenário", acredita o líder do grupo, Rony Rodrigues, hoje com 28 anos, que usou esse discurso na concorrência global pela conta de pesquisas de microtendências para a gigante Unilever. Tirou do páreo duas outras empresas, da Inglaterra, com as mesmas características: a Headlightvision e a Look-Look.
Isso foi há três anos. Hoje, o portfólio da empresa, que deu largada atendendo à indústria gaúcha de calçados Azaléia, conta com clientes como Nike, Nokia, Fiat, Grendene, Diageo, TIM, Quaker e Elma Chips, entre outros. Todos conquistados na base da propaganda boca-a-boca. Eles adotam uma atitude low profile, nem dão endereço e telefone no site. Só um e-mail. Dizem ser contra se marquetear. E seguem crescendo num mercado disputado.
Além de Rodrigues, que começou a vida profissional trabalhando em planejamento para a agência de publicidade gaúcha DSC, estão na sociedade João Cavalcanti, de 24 anos, Priscila Fighera, de 28, e Lucas Mello, de 27. Todos inauguraram a vida profissional ao fundar, na garagem da casa de Cavalcanti - ou melhor, como conta Mello, nas imediações da churrasqueira no fundo do quintal - a Box1824.
Em viagens ao exterior no tempo em que atuava como publicitário, Rodrigues conta que vinha observando o crescimento de demanda por pesquisas de tendência de consumo, contrariando as técnicas tradicionais de análise de grupos em sala de espelho e as pesquisas quantitativas. "Então, porque não tentar algo do gênero, já que o capital necessário era zero, bastava apostar nas idéias?", diz ele.
As idéias que sistematizam e apresentam aos clientes são captadas e filtradas, com as devidas interpretações de especialistas em semiótica e etnografia, graças ao bom uso da internet. Afinal, construíram uma rede de informantes para identificar tendências nos quatro cantos do mundo. Modelo de operação não muito diferente do que empresas como a inglesa The Future Laboratory e a paulista Voltage fazem, só que para um público mais amplo, em outras faixas etárias.
"O mundo mudou com a chegada da conectividade. É mais fácil encontrar alguém similar no Japão do que na porta ao lado de sua casa", diz Rodrigues. "Os jovens de hoje são multitarefa, se comunicam ao mesmo tempo com várias frentes e têm uma relação de tempo e espaço muito diferente dos seus ascendentes. Isso muda tudo." No caso da Box, abriu um negócio para quatro jovens gaúchos.
A Box1824 também já deu filhotes. Integram hoje o que passaram a chamar de Grupo Box, que já conta com 108 funcionários e faturamento não revelado, duas outras agências de prestação de serviços. Uma delas, a LiveAD, voltada para o que o mercado publicitário denomina de buzz marketing, ou marketing de guerrilha. Ou seja, ações inusitadas para gerar impacto no público e mídia espontânea. A outra é a Bola Sociology Design, que desenvolve projetos com soluções estéticas significativas para vários públicos. Aí, até os mais velhos, com espírito de jovenzinhos são contemplados. Como diz Rodrigues, "há mais quarentões que se espelham no target 18-24 para parecerem mais jovens". Alguns até conseguem. As informações são do O Estado de S. Paulo