Na reta final para o lançamento de sua rede de terceira geração (3G) na tecnologia HSPA (sigla para High Speed Packet Access), a Vivo está fechando contratos com fabricantes de modems para banda larga na rede móvel. As negociações correm com pelo menos duas empresas, ZTE e Huawei, o que sugere que a operadora, líder por participação de mercado, está prestes a colocar sua rede no ar.
Dentre as grandes teles móveis, a Vivo é a única que ainda não lançou a malha 3G na tecnologia HSPA. Suas adversárias Claro e TIM já oferecem estes serviços de terceira geração, embora encontrem, nesta fase inicial, bastante instabilidade na rede. A Vivo só oferece os recursos 3G via Telemig, comprada em agosto do ano passado, que trabalha com a tecnologia desde o final de 2007. Detém, também, uma rede que funciona na plataforma CDMA/EV-DO, tecnologia que, embora mais antiga, é considerada de terceira geração. Recentemente, quando questionado sobre a demora para fazer o anúncio, o presidente da Vivo, Roberto Lima, disse que só vai lançar o serviço quando puder oferecer uma rede que atenda à demanda dos usuários. Para tanto, lançará a infra-estrutura 3G com mais capacidade do que a prevista anteriormente. Procurada pela reportagem, a Vivo preferiu não se posicionar sobre o lançamento de sua nova rede.
O executivo principal da ZTE do Brasil, Eliandro Ávila, afirmou à Agência Estado ter fechado contrato com a Vivo para a entrega de modems 3G. Num primeiro momento, os aparelhos para conexão de computadores à internet serão vendidos sob a marca Aiko, tal como os celulares que a chinesa fabrica para a Vivo desde 2004. Em agosto, entretanto, a ZTE quer começar a ostentar sua própria marca nos produtos. Telefones celulares prontos para a tecnologia 3G serão fabricados tão logo a demanda justifique uma nova linha de produção, disse o presidente. Por ora, fica valendo a produção de aparelhos com um grau abaixo na escala tecnológica.
A Huawei está em "processo de negociação de um grande lote" para a Vivo, revelou o diretor de Tecnologia e Produtos da fabricante, Marcelo Motta. Sem detalhar as informações, justificando que não pode abrir as estratégias de seus clientes, o executivo observou que o mercado como um todo "identificou a banda larga móvel como um serviço determinante" para os resultados das empresas, já que "existe uma demanda reprimida" por acesso à internet rápida. A chinesa já mantém contratos com Claro, Oi e TIM, tendo renovado contrato com esta última no fim de maio.
A demanda maior do que o previsto pelos serviços de banda larga móvel gerou, além de problemas com a recém-instalada rede 3G, falta de minimodems nas lojas das operadoras. Segundo Motta, dois fatores podem explicar a ausência dos aparelhos nas prateleiras. O primeiro seria a demora na renovação de contratos com os fabricantes. A situação pode, também, refletir uma tentativa da operadora de controlar o número de clientes para preservar a rede de transmissão nesta fase inicial da oferta de 3G. "Pode ser uma estratégia da própria tele para evitar problemas ao consumidor, pois a rede tem que estar dimensionada", afirmou.