12/06 - 11:32 - Agência Estado
Demorou. Demorou muito. Sem alarde, anúncio oficial, coletiva de imprensa ou mesmo um post no blog oficial, a maior rede social do mundo na atualidade lançou a sua versão em português na quarta-feira passada.
Anunciado há um ano, o Facebook tupiniquim só foi percebido por quem entrou inadvertidamente no site, que chegou atrasado, muito atrasado.
Desde junho do ano passado, quando o diretor de mobilidade do site, Jed Stremel, adiantou com exclusividade ao Link que o serviço teria em breve uma versão brasileira, muita coisa mudou no mundo das redes sociais. Sim, o Facebook era a segunda maior, atrás do MySpace, e hoje tomou a dianteira com impressionantes 116,4 milhões de usuários no mundo. Mas o nosso velho conhecido Orkut também mudou. E já assimilou muitas das inovações que o recém-chegado ao Brasil criou.
Lá em junho, o discurso do famoso criador do Facebook, o "jovenzinho" de 23 anos Mark Zuckerberg, era ter um site que "não fosse mais uma rede social, mas um lugar de contato com os amigos para tudo o que você quiser fazer na internet". O serviço tinha "apenas" 30 milhões de usuários. Um ano depois, com 24 anos, o garoto, que criou a página em 2004 e largou os estudos pelo sucesso do seu projeto, tem US$ 240 milhões a mais no bolso, com a compra de 1,6% do site pela Microsoft em outubro, e uma empresa avaliada em US$ 15 bilhões.
Histórico de atualização dos amigos, quantidade gigantesca de fotos que pode ser organizada em pastas, opções de privacidade que permitem mostrar fotos e recados só para amigos... Hoje, os principais recursos do Facebook já foram "clonados" no Orkut. E agora vêm os aplicativos, que permitirão ter, em seu perfil, de jogos e tocadores de música a janelas para conversar via MSN. A novidade, o carro-chefe do Facebook, ainda não estreou no Orkut. Mas deve ser lançada ainda neste semestre.
"O Facebook veio atrasado", opina a pesquisadora em redes sociais da Universidade Católica de Pelotas Raquel Recuero. "O Orkut mudou muito. Os brasileiros já experimentaram nele várias das funcionalidades que eram diferenciais do Facebook." Segundo ela, isso faz com que o site já chegue ao Brasil com gosto de "eu já vi isso". "Mesmo em português, o que ajuda, pois muitos têm dificuldade com inglês, não vejo como o Facebook possa atrair no País."
Pesa ainda o fato de o Orkut ter uma presença tão maciça por aqui, ressalta o analista do Ibope/NetRatings José Calazans. São 27 milhões de usuários. "O Orkut está muito bem assentado. E para o Facebook se estabelecer é difícil, pois tem o mesmo perfil ‘generalista’ e compete diretamente com o Orkut."
Segundo ele, só há espaço para uma grande rede "generalista" que se torna a principal. "As demais permanecem como redes específicas para um tema ou um público. No Brasil, por exemplo, o MySpace cresceu e tem conseguido alcançar seu objetivo de ser referência em música."
Se o MySpace conta hoje no País com 1,3 milhão de usuários e cresce (em outubro, quando chegou ao Brasil, tinha 300 mil), o Facebook já agradou mais por essas bandas. Não que tenha sido um sucesso. Mas já foi usado por 1,4% dos internautas em seu pico, em novembro, aponta o Ibope/NetRatings. Hoje, é usado por apenas 0,6% dos internautas, ou 138 mil pessoas.
Então esse Facebook não presta e está estagnado? Não. Só não tem mais tantas novidades. Mas, por exemplo, tem messenger integrado, para falar ao vivo com amigos do site. O vídeo é armazenado no próprio Facebook, o que permite determinar, por exemplo, que apenas seus amigos possam vê-lo. Teoricamente, isso também seria possível no Orkut. Teoricamente. Pois lá é preciso antes armazenar o vídeo no YouTube, onde não há controles de privacidade.
O layout não é dos mais bonitos, mas permite organizar aplicativos - livro de recados, fotos, vídeos, etc. - na ordem em que quiser. É só arrastar e soltar. Coisa que o MySpace copiou. Este mês, o site deve lançar um novo layout e será possível publicar conteúdos de forma centralizada.
E o que o site quer no Brasil? A empresa não atendeu aos pedidos de entrevista. Sabe-se que a aposta é na internacionalização. O Facebook é o maior no mundo, mas não nos EUA, onde ainda perde para o MySpace. Cerca de 60% de seus usuários estão em países onde o site faz bastante sucesso, como Inglaterra, Canadá e Austrália. Já são 12 línguas e devem vir mais 20.
A forma como ocorre essa tradução é colaborativa. O Facebook convida os usuários a ajudar. No Brasil, foram 1.023 voluntários. Mesmo assim, alguns tópicos de ajuda, a seção de segurança e a descrição de aplicativos ainda estão em inglês."Essa forma de abordagem nos permite literalmente estar em todas as línguas do mundo", disse à revista Business Week o gerente internacional do site, Javier Olivan.
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