O Google apresentou na semana passada, pela primeira vez, a versão quase completa do sistema operacional para celulares Android. Diante de cerca de 3 mil programadores, a empresa líder de buscas na internet tirou o mistério da plataforma de código aberto projetada para smartphones e outros dispositivos móveis que acessam a internet.
O projeto Android foi anunciado há sete meses pelo Google, em parceria com grandes empresas de tecnologia, com o objetivo de estimular a criação de novos serviços que possam ser acessados pelo celular e atrair mais anúncios publicitários para a internet móvel.
Os sinos e buzinas tocaram na quarta-feira passada. Entre os recursos, estão: um jeito de bloquear telefones desenhando uma determinada forma na tela em vez de criar e digitar uma senha; a criação de favoritos na tela inicial do celular; uma ferramenta de "compasso" que automaticamente localiza o sinal quando o usuário olha para uma fotografia num mapa; uma magnífica forma de dar zoom em uma página da web; e uma versão para celulares do clássico game Pac Man.
A demonstração do Android foi feita numa tela sensível ao toque semelhante à do iPhone, da concorrente Apple. Mas o software do Google também pode trabalhar com tracking balls, forma de controlar o celular como se houvesse um mouse, de acordo com Andy Rubin, que supervisiona o projeto.
Ao mesmo tempo em que disse que o Android está perto da versão final, Rubin desconversou nas perguntas sobre quando os consumidores poderão ter telefones em funcionamento com o software. Seguindo o cronograma estabelecido pelo Google desde o início do desenvolvimento, Rubin disse que o Android deve chegar ao mercado em algum momento dos últimos seis meses deste ano.
Diversos fabricantes de aparelhos, inclusive Samsung, HTC e LG, estão entre os 34 parceiros recrutados pelo Google para ajudar no desenvolvimento do Android. A empresa espera que programadores espalhados pelo mundo criem grande variedade de produtos para rodar no sistema. É uma das razões para a companhia de Mountain View ter defendido os softwares livres na conferência para desenvolvedores.
Um dos recursos mais celebrados do Android foi a integração com o Google Maps Street View, que mostra exatamente a localização do usuário quando passa em determinada rua, com informações de nomes de rua e endereços no mapa. Vídeos das demonstrações do sistema operacional para celulares foram gravados e postados no blog da Android Community (http://tinyurl.com/5a24fk).
O Google e seus parceiros na Open Handset Alliance estão desenvolvendo o Android de forma mais acessível que outras plataformas para telefones móveis. Os desenvolvedores não precisarão de certificação específica para criar aplicativos, afirma o advogado para desenvolvimento do Google, Jason Chen. Também não haverá qualquer API (sigla de linguagem de programação) escondida ou exclusiva para fabricantes de celulares.
Para usuários comuns, ficará mais fácil controlar suas próprias experiências com o telefone ao fazer o download dos aplicativos favoritos, disse Chen.
Lucro indireto
Ao deixar o uso mais fácil e mais atraente para pessoas acessarem a internet pelo celular, o Google acredita que lucrará ainda mais a partir de links patrocinados, exibidos ao lado de resultados de buscas e que são geralmente relevantes para o usuário. A empresa também está começando a exibir mais publicidade em vídeos do YouTube (um dos principais atrativos do iPhone), que recebeu um botão especial na demonstração do Android.
O Google espera gerar mais de US$ 20 bilhões em receita de publicidade neste ano, mas a maioria do lucro virá de anúncios vistos a partir de computadores pessoais. Com cerca de 3 bilhões de aparelhos já no mercado, alguns analistas acreditam que o Google poderia chegar aos US$ 5 bilhões anuais apenas no mercado móvel em 5 anos.
O Google também está tentando ampliar seus ganhos com a venda de mais serviços de softwares baseados na internet a pequenas empresas, universidades e agências governamentais. Uma das estratégias é deixar desenvolvedores criarem aplicativos na web, mesmo que não sejam para utilização nos sites do Google. Haveria mais e mais publicidade e mais buscas se as pessoas fizerem mais coisas online.
Em abril, o Google abocanhava perto de 62% do mercado de buscas nos EUA, de acordo com a comScore.
O sucesso estrondoso do Google é a principal razão para a maior empresa de softwares do mundo, Microsoft, gastar meses e meses tentando comprar o Yahoo. A companhia de Bill Gates retirou a oferta de US$ 47,5 bilhões há três semanas após as duas empresas não terem chegado a um acordo. A Microsoft ainda discute possíveis acordos menores com o Yahoo.
Para ajudar desenvolvedores a criar mais produtos online, o Google começou no mês passado a oferecer espaço de armazenamento e ferramentas de computação gratuitas numa base limitada do serviço chamado App Engine.
O Google apresentou o serviço na mesma conferência em que anunciou o Android, na semana passada, e detalhou os planos de oferecer mais capacidade no final do ano, mas cobrando uma taxa. O serviço dará de graça algo acima de 500 megabytes de espaço e ferramentas para sites suportarem 5 milhões de visitas mensais a suas páginas. As informações são do O Estado de S. Paulo/Link