No final de março, foi lançado mundialmente o www.southparkstudios.com. Elaborado pelos criadores do desenho "South Park", Matt Stone e Trey Parker, o site permite que se assista às 12 temporadas da animação - por streaming e de graça. Ainda não existe algo desse calibre no Brasil, mas o pessoal já está se preparando.
A Rede Record possui o site "Mundo Record" (www.mundorecord.com.br), que exibe os principais programas da emissora. Novelas são disponibilizadas 25 horas após serem exibidas na TV.
A Globo Vídeos (video.globo.com) também coloca no ar grande parte da programação que vai para a TV. Mas, para ter acesso a esse conteúdo, é preciso ser assinante da Globo.com - na Record é tudo liberado. Procurado pelo reportagem, o site global não se manifestou.
O "Mundo Record", assim como a "Globo Vídeos", não exibe seus telejornais, folhetins e atrações em uma tacada só - um vídeo de 50 minutos, por exemplo. Tudo é "picotado" para ganhar o tal "tempo de internet".
"Acreditamos que um vídeo de mais de sete minutos não fará sucesso", provoca Manoela Pereira, gerente geral de entretenimento do UOL.
A explicação para esse pensamento tem lógica: a informação na internet é mais ligeira, dinâmica. Nessa correria frenética dos tempos modernos, dificilmente o internauta que quiser ver o que aconteceu na novela irá tirar 40 minutos de seu dia para vê-la no micro.
Ele a assistirá aos pouquinhos: um bloco de dez minutos agora, outro de 15 mais tarde, e por aí vai. No final das contas, acaba-se realmente vendo o capítulo inteiro - mas no tempo que o espectador decidir.
Segundo Ricardo Frota, gerente nacional de comunicação da Record, a média de permanência de cada visitante único no Mundo Record é de aproximadamente 90 minutos.
Para Paulo Castro, diretor geral do Terra no Brasil, isso ocorre com os seriados que o www.terratv.com.br exibe. "Um episódio de 'Lost', que tem cerca de 45 minutos, é dividido em quatro partes. E cada parte possui a mesma média de acessos". Ou seja: se o internauta não vê todos os blocos de "Lost" de uma vez, ele acaba terminando o que foi interrompido mais tarde.
DUAS TELEVISÕES - O YouTube é o grande responsável pela popularização dos vídeos online, afinal dá para achar tudo nele - conteúdo legal e ilegal. Segundo dados do Nielsen/NetRatings, o serviço tem 8,6 milhões de usuários domiciliares no Brasil. De acordo também com dados do próprio Google, a cada minuto dez horas de vídeo são colocadas no site. Então como concorrer com esse gigante? A resposta: conteúdo próprio para a web.
Multishow e MTV têm, hoje, seriados - importados e brasileiros - que são transmitidos apenas em seus sites. O ESPN 360 (www.espn.com.br/360), canal de vídeos da ESPN Brasil, também vem ganhando material próprio. Na Olimpíada de Pequim o site terá um videorrepórter especial para o evento.
É como se, aos poucos, as emissoras começassem a criar duas TVs diferentes: a tradicional e a da internet. "Cada vez mais vemos que dá para fazer uma MTV própria na rede sem depender da própria MTV", explica Zico Goes, diretor de programação da emissora.
Para Goes, outro fato que aos poucos vai se relevando é que a MTV está ganhando dois públicos distintos: aquele que só vê o Overdrive (serviço online de vídeos da emissora) e o que só acompanha o canal pela própria televisão tradicional.
Outra tendência, que já acontece muito, é os canais colocarem em seus sites algo que ficou de fora da TV. "É pegar o material bruto que foi ao ar e readaptá-lo para a web. Pode ser desde os melhores momentos de um programa ou cenas de bastidores dele", diz Daniela Mignani, gerente de marketing do Multishow. "Chamamos isso de conteúdo de degustação."
A ESPN usa desse mesmo recurso em seus principais programas diários, como o noticiário SportsCenter, que vai ao ar à noite. Algumas horas depois, já de manhãzinha, é possível ver, editado, o "best of" do jornal esportivo no canal online 360.
A produção de material próprio para a rede ainda não é popular. Segundo Goes, os videoclipes correspondem a 40% da audiência do Overdrive. No ESPN 360, na Terra TV e na UOLTV, as reportagens são os campeões de visitas.
GLU - GLU - Segundo a metodologia do instituto NetRatings, os sites de vídeos são classificados em duas categorias: "Vídeos/Filmes" e "Transmissão de Mídia". Na primeira, entra o YouTube, enfim, sites em que o conteúdo é feito principalmente pelo internauta. Na segunda, o conteúdo é produzido por empresas, como o UOL.
O MySpace, que não se encaixa em nenhuma dessas turmas, pois é rede social, também aposta na produção de conteúdo exclusivo. O site tem parcerias com programas de TV, como o Alto Falante, e com novos nomes do audiovisual - vide André Moraes, diretor do curta-metragem "Ópera do Mallandro".
Segundo Luiz Cesar Pimentel, diretor de conteúdo do MySpace Brasil, o filme dificilmente teria espaço na TV e estaria fadado aos festivais de cinema. Com a promoção do MySpace TV, o curta atinge um novo público.
Na sua semana de estréia, o vídeo teve 50 mil internautas que conferiram todos os seus 15 minutos de duração. É o tal "tempo de internet".