28/05 - 09:24 - Agência Estado
O crescimento das vendas de celulares pós-pagos está superando as de pré-pagos. De acordo com dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), no Estado de São Paulo, em um ano - de abril de 2007 a abril de 2008 - as vendas de pós-pagos aumentaram 31,20%.
No mesmo período, o crescimento do mercado de pré-pagos foi de 20,71%. A margem é ainda maior se comparadas as vendas de abril de 2006 com as de abril de 2007. O crescimento foi de 22,68% para pós-pagos, contra 9,78% para pré-pagos.
A explicação para essa diferença está em dois pontos fundamentais: a boa fase da economia brasileira, com maior poder de compra e comprometimento de renda da classe C; e a entrada no mercado de produtos de alta tecnologia, como plataformas para acesso à internet e tecnologia 3G - terceira geração de celulares com maior velocidade para transmissão de dados - atrelados ao pagamento de fatura mensal.
"São diversas as variáveis que contribuíram para uma maior penetração do pós-pago no mercado. A principal delas está na conjuntura econômica positiva do País. Houve uma expansão muito forte da classe C, com novas ofertas de emprego e maior renda. Isso aumentou o poder de compra e possibilitou que os consumidores pudessem comprometer uma parte maior do salário, migrando para o pós-pago", diz diretor territorial da TIM São Paulo, Carlos Cupo.
A pesquisa Observador Brasil 2008, mostra que o bom momento da economia, com a expansão do crédito e o favorecimento do consumo, fez com que mais de 20 milhões de brasileiros migrassem das classes D e E para a classe C, em apenas dois anos. " O pós-pago, geralmente, é o segundo ou o terceiro celular do usuário, que já utilizou o pré-pago antes. Ele é mais vantajoso para quem utiliza o aparelho profissionalmente", afirma o especialista em telecomunicações Etevaldo Siqueira.
Esse é o caso do técnico de manutenção Jorge Nunes, 18 anos, que em novembro do ano passado trocou o seu pré por um pós. "Decidi trocar porque gasto bem menos por mês com a linha, já que uso muito no trabalho. Antes colocava o crédito e às vezes acabava no mesmo dia, porque os minutos no pré-pago são muito caros. Agora pago R$ 35 por mês e posso falar por 100 minutos. É bem mais vantajoso", diz.
As operadoras perceberam essa necessidade, de oferecer uma linha, com um custo reduzido e passaram a criar planos diferenciados, na medida do consumo de cada cliente. "Isso também ajudou a atrair mais clientes para o plano mensal. Oferecemos a linha controle e também alguns benefícios, como aparelhos a preços reduzidos. Isso só pode ocorrer para o usuário do pós-pago, que gera uma receita quatro vezes maior que o usuário do pré-pago", afirma o gerente de marketing do segmento premium da Vivo, Leonardo Contrucci.
A entrada de aparelhos de alta tecnologia, os chamados 3G, e os celulares que permitem acesso à internet móvel também ajudaram a alavancar o crescimento das habilitações de aparelhos pós-pagos, já que essas plataformas só são vantajosas para essa modalidade - no sistema pré-pago, que tem o custo da tarifa muito mais alto, a utilização destes serviços seria muito onerosa. "Hoje o cliente não quer mais utilizar só a voz, ele precisa de outros recursos também. Sem dúvida essas funcionalidades têm um apelo forte no mercado", afirma Cupo.
O crescimento do pós-pago, embora seja maior, ainda não rompeu a barreira de média de 20% de participação no mercado, contra 80% de pré-pagos. Mas caminha para isso. "Acredito que dentro de quatro anos, a proporção pule para 25% para pós e 75% para pré", afirma Siqueira. Isso porque, de acordo com ele, a receita média mensal por usuário do pós-pago é de R$ 70, contra R$ 14 do pré-pago. "Para cada cliente pós que a empresa conquista, há mais margem para oferecer vantagens aos clientes pré. Por isso, ambas crescem juntas".
As informações são do Jornal da Tarde/Seu Bolso
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