17/05 - 08:39 - Paula Leite, repórter Último Segundo
SÃO PAULO - A Gradiente, empresa que enfrenta problemas financeiros, não está entregando o conversor digital a quem comprou TVs de alta definição, segundo a associação de defesa do consumidor Pro Teste. A empresa fez promoção no ano passado em que quem comprasse a TV ganharia o conversor quando este fosse lançado, após a estréia da TV digital aberta, que aconteceu em São Paulo em dezembro de 2007.
A empresa se comprometeu a entregar os conversores a partir de junho, segundo Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Pro Teste. A falta de entrega do conversor é apenas um dos problemas que os consumidores enfrentam com a Gradiente. Os produtos da empresa estão sem garantia, porque, em caso de problemas com os produtos, a Gradiente não está realizando consertos, efetuando a troca e nem devolvendo o dinheiro. Os problemas atingem também produtos da marca Philco, fabricados pela Gradiente.
“A Gradiente está se recusando a cumprir o código de defesa do consumidor alegando problemas financeiros”, diz Selma do Amaral, assistente de direção do Procon de São Paulo. “A empresa vem lesando os consumidores. Ela não devolve o dinheiro nem faz a troca do produto.”
Selma diz que, nos casos de reclamações de consumidores mediadas pelo Procon de São Paulo, a empresa pede um prazo maior para consertar o produto. Em sua página na internet, a Gradiente diz que está reestruturando sua rede de assistências técnicas e pede que os consumidores aguardem.
A Pro Teste encaminhou em janeiro deste ano pedidos ao Ministério Público e ao Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor do Ministério da Justiça (DPDC) pedindo providências. Alguns Procons, como os de Goiás, Minas Gerais e Bahia, proibiram a venda de alguns produtos da marca devido ao problema da falta de garantias.
Mas, em São Paulo, o Procon tem outro entendimento. “Se houvesse uma intervenção deste tipo, poderia inviabilizar a recuperação da empresa”, diz Selma. Segundo ela, o código do consumidor diz que a loja também é responsável pelos problemas no produto e o consumidor deve procurá-la também para tentar obter a troca ou o valor pago de volta.
“É muito difícil para o consumidor”, diz Maria Inês Dolci sobre a recomendação de acionar o lojista também. Ela diz que muitas lojas já não estão vendendo produtos da Gradiente, justamente para evitar problemas.
No início do mês de maio, a Gradiente disse em comunicado ao mercado que avalia a entrada de um novo sócio ou um empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para tentar obter uma injeção de capital. A Gradiente era em 2006 a maior fabricante brasileira de eletroeletrônicos e, no mesmo ano, comprou a concorrente Philco.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também comentou, em viagem à Manaus, que o governo fará “tudo que for possível” para ajudar a empresa a resolver seus problemas e “voltar a produzir e gerar empregos”. Segundo informações do jornal “O Estado de S.Paulo”, a empresa tem dívida de cerca de R$ 300 milhões.
A Gradiente não quis dar entrevista para falar sobre a crise financeira e os problemas dos consumidores. Em nota, a empresa diz que “a Gradiente Eletrônica passa por um processo de reestruturação dos seus negócios e, conseqüentemente, enfrenta problemas relativos ao fornecimento de componentes para a sua rede de assistência técnica. A questão vem sendo acompanhada pela companhia, que realiza todos os esforços com o objetivo de equacionar o quanto antes as pendências junto aos consumidores.”
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