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Com tanto celular novo, saiba o que fazer com os antigos que não se quer mais

10/05 - 15:30 - Luciana Araújo, repórter do Último Segundo

SÃO PAULO – Com a velocidade dos avanços tecnológicos quando o assunto é telefonia móvel, não é preciso ficar muito tempo com um celular para logo considerá-lo ultrapassado. Grande parte das vezes, o aparelho substituído ainda está em bom estado e, por isso, jogá-lo no lixo, além de uma atitude antiecológica, é também o equivalente a rasgar dinheiro.

Só no primeiro trimestre deste ano, o número de celulares no País cresceu mais que o dobro do que no mesmo período de 2007, de acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A base de celulares aumentou em 4,831 milhões de terminais entre janeiro e março deste ano, número 116,25% maior do que os 2,234 de celulares que ingressaram no mercado no mesmo período do ano passado

Atualmente, sócio de uma micro-empresa de transportes, Marcos Marques lembra que o primeiro celular que comprou era de segunda mão. “Eu achava que não precisava tanto de um celular e, com a grana curta, pensei que o melhor era comprar um usado mesmo”, recorda.

Os dados da Anatel não citam se o aparelho é usado ou não, mas um estudo anual realizado pela LatinPanel, empresa de consumo domiciliar, e publicado recentemente no jornal “O Estado de S.Paulo”, mostra que 26% das linhas adquiridas pelos usuários em 2007 foram compradas de segunda mão, ou seja, algo em torno de 1,2 milhão de linhas.

Foram ouvidas 26 mil pessoas para avaliar os hábitos de compra e uso da telefonia celular no Brasil, representando 80% da população ativa e 91% do potencial de consumo de celulares no País.

Com o tempo, Marcos Marques, já apegado à necessidade do celular, revendeu seu primeiro usado para um amigo e comprou um novo, mas não tardou a se render ao preço dos de segunda mão. “Tive alguns celulares novos, mas muito distraído, perdi a maioria e comecei a achar que para alguém com meu perfil não valia a pena ficar gastando tanto dinheiro”, conta. “Meu celular atual foi um ótimo negócio. Além de ter várias modernidades, paguei barato, justamente porque um amigo comprou um mais novo e resolveu repassar o que ia aposentar”.

Há também quem ingresse no clube daqueles que tem celular graças a um presente. Este foi o caso do ilustrador José Cortizo Junior. “Meu amigo comprou um celular novo e, como eu não tinha um, ele resolveu me dar o usado dele de presente”, recorda. Mais adiante, quando comprou um novo, Cortizo teve a mesma atitude do colega. “Troquei aquele usado por um modelo simples, mas que tinha mais possibilidades que o anterior. Mp3 e cartão de memória, por exemplo. E como ainda estava bom, dei pro meu irmão”.

Muitas das vendas de celulares de segunda mão são feitas pela internet e os sites de compra e venda de usados trazem, inclusive, opções de modelos bem antigos para colecionadores. Por tanto, se você acha que o seu celular está tão velho que não vai conseguir um comprador, pode estar enganado. Faça uma pesquisa.

O técnico e consultor em informática e redes Diego Duarte, que faz parte da comunidade “Apaixonados por celular” do Orkut, diz que também costuma vender ou dar seus celulares usados para alguém. “Tenho apenas um ou outro guardado. Já os com defeito, costumo jogar fora mesmo. Péssimo hábito, claro, pois sempre tem um técnico em eletrônica celular, que precisa de alguma peça desses aparelhos. Mas na hora, a gente nem lembra”, confessa.

O que fazer com o celular que não funciona mais?

Se com os usados em bom estado é possível vender ou dar, aqueles que estão quebrados também não devem ir para o lixo. De maneira geral, componentes eletrônicos demoram anos e anos para se degradar na natureza. Muitos deles, aliás, contêm substâncias tóxicas, como as baterias.

O Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) estabelece uma porcentagem máxima permitida para metais tóxicos. Se a pilha ou bateria não ultrapassar esse limite (as comuns não ultrapassam), o fabricante não tem a obrigação de recolhê-la. No entanto, será sempre uma atitude louvável não optar por simplesmente colocar no lixo comum.

O que fazer então? O Último Segundo consultou algumas fabricantes para saber como proceder e o que cada empresa faz com o material coletado.

Se o seu aparelho ou bateria é da Sony Ericsson, precisa levá-lo completo até uma assistência técnica ou a lojas que têm postos de coleta. O responsável pelo local coloca o material em uma urna e solicita a coleta através do site www.gmcons.com.br/baterias. É emitida uma nota fiscal com a observação de que o material será devolvido para a fabricante para sucateamento.

Os aparelho e as baterias são destruídos em um galpão de logística da empresa. Lá, a etiqueta (ESN) é retirada do material devolvido e separado em lotes de 50 peças. O produto é desmontado e separado por partes plásticas, vidros e partes metálicas. As baterias são separadas em recipientes lacrados contra vazamento e enviadas para trituração.

As partes metálicas, plásticas e vidros são trituradas separadamente (até virarem pó). O pó é utilizado por empresas de corantes de tintas. A Samsung também orienta seus consumidores a encaminhar os aparelhos e baterias da marca, em estado obsoleto, às assistências técnicas (exclusivos ou não), da rede autorizada.

No entanto a empresa destaca que tem adotado desde o início de suas operações com celulares no Brasil, baterias de princípios químicos não tóxicos ou nocivos - Íons de Lítio (Li-íon) nos seus aparelhos. Estas baterias não se enquadram na legislação que determina o seu recolhimento.

Todos os produtos a serem reciclados da Motorola podem ser depositados nas urnas, localizadas nos Serviços Autorizados Motorola (SAMs) em todo o País. A empresa recupera e recicla baterias, aparelhos celulares, rádios bidirecionais e acessórios (carregadores, fios e fones de ouvido, entre outros), cuja vida útil já tenha terminado.

Após serem coletados, os resíduos são analisados e classificados para serem reciclados. Substâncias como o cobre, o ouro, o bronze e o ferro, são recuperadas No caso das baterias, a empresa conta com um programa de reciclagem desde 1999.

Em oito anos, já foram recolhidas mais de 250 toneladas de baterias e enviadas para reciclagem na Europa. Depois de coletadas, as baterias são embaladas uma a uma, para evitar danos nos contatos, e armazenadas no Campus da Motorola em Jaguariúna, conforme orientações da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).

Ali permanecem até atingirem volume suficiente para completar um container. Após submetida ao processo de reciclagem, a bateria é destruída e apenas os metais recuperados. Enquanto o cádmio é recuperado com 99,99% de pureza, o aço e o níquel são enviados às siderúrgicas para serem transformados em aço inoxidável.

Os aparelhos da Nokia vêm sendo reciclados há dois anos, a Nokia recicla também os aparelhos encaminhados pelos consumidores. Segundo a Nokia entre 65 e 80% de um telefone celular de sua fabricação pode ser reciclado. O material reciclado não é aproveitado em novos telefones. Já o Programa de Reciclagens de Baterias existe há sete anos.

Assim, todas as caixas de produtos trazem explicações sobre o descarte correto da bateria e orientação sobre a rede de coleta dos dispositivos. Os consumidores podem devolver telefones e baterias em 162 pontos de assistência técnica ou serviços autorizados da Nokia.

A empresa encaminha-os para centros de reciclagem fora do país, para que substâncias como aço, cádmio e níquel sejam reaproveitadas. O plástico e os circuitos internos são incinerados, para geração de energia elétrica. O destino mais usado é um centro de reciclagem localizado em Chicago, nos Estados Unidos.

A empresa informa já ter reaproveitado cerca de 32 toneladas de baterias e 25 toneladas de aparelhos na América Latina.





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