As declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que na terça-feira, em Manaus, disse que "fará tudo o que estiver a seu alcance" para resolver o problema da Gradiente, continuaram movimentando a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). As ações da companhia, que até pouco antes da declaração do presidente acumulavam perdas de mais de 80% nos últimos doze meses, subiram 17,14% ontem.
Na véspera, após as declarações de Lula, a alta havia sido de 27,5%.
Em resposta a um questionamento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que solicitou esclarecimentos a cerca da repentina valorização das ações, a Gradiente confirmou que "foram iniciadas negociações ainda preliminares, tanto com relação a entrada de um sócio na companhia, quanto no tocante a uma possível ajuda a ser concedida pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico (BNDES)". Mas a empresa diz que não existe, "até o momento, qualquer certeza quanto à efetiva concretização de quaisquer tratativas, razão pela qual não se justifica a divulgação, até o presente momento, de fato relevante". A nota é assinada pelo diretor de Relações com Investidores, Eugênio Emílio Staub Filho.
Com dívidas de R$ 285 milhões com bancos e fornecedores, a Gradiente está há mais de três meses tentando, sem sucesso, encontrar um sócio. O Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) chegou a estudar, há cerca de um mês, a possibilidade de financiar um eventual novo sócio, com um empréstimo de R$ 30 milhões. De acordo com uma fonte no BNDES, as negociações não avançaram por falta de compradores dispostos a assumir a empresa.
A Gradiente hoje está parada. A única fábrica da companhia, em Manaus, interrompeu sua produção em agosto passado. As informações são do O Estado de S. Paulo
*C/ Irany Tereza