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Rainha do in-line agora desafia o online

30/04 - 14:33 - Agência Estado

Rainha do in-line agora desafia o online Por Gustavo Miller São Paulo, 28 (AE) - Com ela, no in-line não tem para ninguém. Sete vezes medalhista de ouro do X Games, a olimpíada dos esportes radicais, a paulistana Fabíola da Silva é considerada uma rainha dos patins.

Agora, seu grande desafio é o online: Fabíola quer contar com a ajuda da web para divulgar a patinação pelo Brasil - especialmente entre o público feminino.

Fabíola é um ícone entre a garotada. Já até virou boneca e personagem de game. Por isso mesmo, quer usar a força de sua imagem para "arrebanhar" novas pessoas para o mundo dos patins.

"Até pouco tempo atrás, só era possível acompanhar os esportes radicais na TV a cabo. Hoje a internet está se mostrando um veículo de comunicação muito forte, às vezes até mais do que a televisão", diz. "Já existem diversos sites de vídeos e assistir às competições está cada vez mais fácil."
Fabíola surgiu no circuito radical com apenas 16 anos, magrinha (agora ela é puro músculo) e pequenina (bem, isso ela ainda é) de tudo. Só isso foi suficiente para chamar a atenção da mídia e dos próprios competidores, afinal, ter uma adolescente de patins in-line encarando uma rampa de quatro metros de altura não era algo que se via todo dia.

A garota se destacou tanto que inspirou outras meninas a se arriscarem na modalidade. Em 2000, ela passou a competir de igual a igual com os atletas masculinos e inspirou a criação da "Regra da Fabíola", que desde então permite às mulheres disputarem também as finais masculinas, seja no street (quando o patinador pula obstáculos, como corrimões) ou no vertical, em que o atleta faz manobras no half-pipe, uma pista em formato de "U".

Isso é bacana? Sim, pois Fabíola não faz feio entre os patinadores - além do mais, chega a ser meio feminista, um grito de igualdade. Mas aí mora um problemão também. Tal regra não foi feita porque não há patinadoras à altura de Fabíola. Realmente não há patinadoras mesmo - mas de uma maneira geral.

Na edição brasileira do X Games, que rolou em São Paulo até ontem, não houve competição de patins - masculina, inclusive. Rolou apenas uma apresentação, do qual Fabíola participou.

"Foi triste, ainda mais por o X Games estar na minha cidade", lamenta. "Infelizmente a categoria na qual participo, o vertical, só tem eu e a japonesa Ayumi Kawasaki que competimos sempre", completa.

Pelo menos durante os três dias do torneio Fabíola deixou de lado as manobras e encarou outra aventura: ser repórter. Ela cobriu os bastidores da disputa para a ESPN Brasil e para um site especial da operadora de celular Oi. Munida apenas de um telefone móvel em suas mãos, Fabíola também aproveitou a competição para postar em seu blog pequenos textos e fotos sobre o que rolou no X Games paulistano.

Aliás, falando em weblogs, Fabíola já teve vários. Atualmente ela escreve no http://fabioladasilva.blog.oi.com.br, um grande diário para contar sobre sua vida de atleta, já que viaja o tempo todo.

"É mais um espaço para interagir com os fãs, dizer onde estou competindo", explica.

Essa interação vem fazendo a patinadora se dedicar cada vez mais à web. O seu site (www.fabioladasilva.com.br) é bem legalzinho e multimídia, recentemente ela criou um perfil no YouTube para colocar alguns vídeos de suas entrevistas e competições - há material antigo e inédito.

"A internet é o maior canal de divulgação hoje. Qualquer coisa que eu solto na rede corre o mundo em segundos", comenta. "Em 1996 eu era muito jovem e não sabia o tamanho da importância de minha imagem. Nem site eu tinha. Se eu estivesse começando agora, muita coisa poderia ser diferente", continua.

A patinadora viu nessas ferramentas o enorme canal de comunicação - direto - que ganhou com o seu público. Ela jura receber vários e-mails por dia - e, acreditem, não é só a molecada que a procura.

"Têm muitos pais que mandam recadinhos pelos os seus filhos. Dizem que eles gostam de patinar e perguntam se realmente dá para viver apenas dos patins", ri.

Fabíola também vê com esperança o (possível) novo gás que a patinação pode receber em tempos pós-YouTube. "Disputei o (campeonato) Winterclash na Alemanha e deu para ver toda a competição na internet. É impressionante!"
"Teve outro torneio que eu não fui, mas acompanhei tudo pelo YouTube também. Acabava uma prova e logo depois já entrava no site um vídeo. Editado!", diz. "Para o jovem, que já procura muito mais informação via internet, isso é ótimo."
Nesse primeiro semestre, Fabíola irá ficar mais no Brasil do que em Los Angeles, onde reside. Como ela está cada vez mais vestindo a camiseta do seu esporte, todos os seus planos futuros estão voltados para a divulgação da modalidade no País.

Há oito meses ela criou uma escolinha de patinação no bairro do Morumbi. O projeto, que fica na pista da Rollerbrothers, tem o intuito de criar novos talentos para o esporte e mostrar, que com o incentivo certo, futuros profissionais das rodinhas poderão sair dali.

Fabíola também está organizando competições por todo o Estado de São Paulo. "Futuramente penso em criar um centro de treinamento apropriado, para que o esportista não tenha tanto que viajar e praticar fora do Brasil", sonha. "Eu quero estar mais presente no País, quero que o esporte bombe de novo por aqui. Isso é um... um... Peraí que eu às vezes esqueço de falar português", interrompe, rindo. Ela pensa por alguns poucos segundos e conclui, com um leve sorriso. "Um desafio. Isso é um desafio."




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