09/04 - 14:08 - Agência Estado
Há dez anos o santista Renato Pedroso Junior tinha acabado de se mudar para São Paulo. Para contar aos amigos e familiares como seria a sua rotina na Paulicéia, ele decidiu criar um site, um diário online.
E assim, em 31 de março de 1998, escreveu no seu teclado, cheio de graça: "Start spreading the news, I’m leaving today, I’m want to be a part of it - New York, New Yo... Corta! Música errada, cidade errada, país errado. Tentemos novamente... Alguma coisa acontece no meu coração, que só quando cruzo a Ipiranga e a avenida São João… Agora sim!"
Sem saber, Renato criou o primeiro blog escrito em português: o Diário da Megalópole. E não era só de cidade que tinha mudado: de nome também. No mundo virtual, ele agora seria o Nemo Nox.
Desde essas primeiras palavras muita coisa mudou nessa ferramenta. Em seu começo o blog era apenas um diarinho virtual. Depois, o futuro da literatura, e mais tarde uma solução para o jornalismo. Hoje, uma (possível) forma de ganhar dinheiro sem sair de casa.
Além de importância, os blogs também ganharam audiência. Ele é uma ferramenta fácil de se usar - e está cada vez mais simples! Mesmo quem entenda patavina de computador consegue manter um blog. Hoje há vários serviços que fornecem layouts prontos e permitem a imediata inserção de imagens e vídeos nos textos publicados, os chamados posts.
"Quando eu comecei não existiam sistemas automatizados, como o Blogger ou o Live Jornal. Cada post exigia codificação manual de HTML", lembra Renato, o Nemo. "Foi a automatização do processo que permitiu a popularização do formato até o fenômeno em que se transformou. Mas ainda tem muito espaço para ser conquistado pelos blogueiros, principalmente em termos de credibilidade", analisa.
Essa é a grande questão que ocorre na blogosfera brasileira. É claro que os blogs evoluíram. Eles se tornaram um veículo de comunicação respeitado, usado por jornais e empresas - e muitos blogueiros são hoje grandes formadores de opinião.
Só fica a dúvida sobre o futuro do formato. Para muitos blogueiros da velha guarda, ele cada vez mais deixa de ser um gerador de conteúdo para se tornar um filtro. Também há a discussão se vale a pena abrir espaço para publicidade, afinal, os blogs são considerados uma mídia independente.Nesta edição, blogueiros, publicitários e empresas analisam essa primeira década do primeiro post escrito no idioma de Camões.
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