O Brasil continua despencando no ranking tecnológico no mundo. Em uma classificação feita pelo Fórum Econômico Mundial, o País aparece apenas na 59a posição entre as economias que mais conseguem tirar proveito das novas tecnologias para incrementar sua produtividade.
As falhas na educação e um ambiente regulatório inadequado impedem, segundo o estudo, que o Brasil avance no uso das tecnologias. Segundo o Fórum, o País está mal posicionado no ranking dos governos que mais priorizam o uso de tecnologias.
O ranking de 175 países é liderado pela Dinamarca, Suécia, Suíça, Estados Unidos e Cingapura. Entre os latino-americanos, o líder é o Chile, na 34 posição.
Já o Brasil vem caindo desde 2005. Naquele ano, o País ocupava a 52a posição. Em 2006 passou para a 53a colocação e agora é superado por países como Turquia, México, China, Jamaica, Arábia Saudita, Índia ou Barbados."Há certos avanços no Brasil. Mas a realidade é que outros países estão avançando de forma mais rápida no uso das tecnologias. Isso deveria ser um motivo para o Brasil parar e pensar porque isso está ocorrendo", afirmou Irene Mia, autora do levantamento. "Não se pode ficar parado quando o assunto é tecnologia", disse.
Para Irene, o Brasil enfrenta um "problema estrutural". "O ambiente regulatório é algo que precisa melhorar e a educação ainda é pobre. Esses dois elementos tem um forte impacto sobre o uso de tecnologias", afirmou a autora do documento. Para o Fórum, a tecnologia sozinha não gera a competitividade de uma economia. "Tudo depende do ambiente em que ela é usada", afirmou Irene.
No que se refere à educação, os especialistas apontam que a tecnologia somente pode criar competitividade de uma população que está pronta para tirar proveito dela. Isso, portanto, dependeria da educação. "O Brasil não tem uma educação de primeira classe", disse Irene. Em termos de qualidade do ensino de matemática e ciências, o Brasil está apenas na 114a posição. Já no critério de qualidade do sistema educacional, o País ocupa a embaraçosa 117a posição.
Já no que se refere ao ambiente regulatório, o Fórum destaca a necessidade de reformas no sistema tributário, que coloca o país na 127 posição entre as economias analisadas. O peso da regulação do estado também é criticada. O Brasil aparece na 125 posição por esse critério. Outros problemas são a falta de eficiência do poder Judiciário, na 102 posição, ou a proteção da propriedade intelectual.
Para o Fórum, o Brasil ocupa apenas a 100a posição entre os governos que colocam as tecnologias de informação como suas prioridades. "Os exemplos de sucesso dos países Nórdicos, Cingapura, Estados Unidos e Coréia mostram que uma visão coerente do governo sobre a importância do setor de tecnologia, junto com educação e inovação, é não apenas fundamental para o grau de conectividade, mas é a base de um crescimento sustentável", afirmou Irene.
Uma comparação é feita entre o Brasil e a Coréia, hoje ocupando a nona posição no ranking. "Os coreanos investiram em tecnologia, educação e hoje tem uma economia forte nesse segmento. Contam inclusive com empresas que exportam para todo o mundo. Foram metas bem traçadas que permitiram chegar a esse ponto", afirmou Irene.
Se nos critérios regulatórios e de preparação o Brasil ainda ocupa um lugar discreto, a classificação mostra que há um certo avanço no que se refere ao uso das tecnologias pelo setor privado. Por esse critério, o País ocupa a 36a posição no ranking e a 20a posição na capacidade de inovação no mundo. O setor privado brasileiro ainda é o 28o que mais usa a internet.
O governo também tem se mostrado um usuário das tecnologias e o País ocupa a 33a posição nesse ranking. O Brasil teve um bom desempenho no que se refere à disponibilização de serviços públicos nos sites. Já em termos do uso pessoal das tecnologias, o Brasil ainda ocupa a 64a posição. Parte do problema seria o custo ainda relativamente alto das chamadas de celulares (Brasil está apenas na 83 posição nesse quesito). O País ainda ocupa a 62 posição em termos de usuários de internet.