02/04 - 14:41 - Agência Estado
Cinemateca Brasileira e o Centro Cultural de São Paulo apresentam o maior acervo de filmes da América Latina e a maior discoteca pública do Brasil, respectivamente.
Por Mariana Bortoletti
O trabalho de digitalização dos dois núcleos é sinônimo de qualidade e a idéia de tornar digital ambos acervos surgiu com o intuito de conservar e facilitar o acesso a essas coleções públicas. Ambas instituições aceitam doações para serem digitalizadas - e é garantido que suas relíquias serão muito bem tratadas. A princípio analisa-se o estado da obra. Caso ela esteja danificada, será restaurada antes de ser digitalizada.
Os processos são minuciosos e devem ser realizados em salas climatizadas com temperaturas que variam de acordo com o lugar, mas são sempre baixas, por volta de 18ºC. Para realizar o trabalho, os dois núcleos usam máquinas da Apple. A discoteca do Centro Cultural é composta por uma pick-up para discos de vinil, mesa de som e dois aparelhos - um reduz o ruído da gravação original e o outro finaliza o áudio uma vez que o registro foi digitalizado. A instituição ainda conta uma máquina para limpar discos de vinil.
Na Cinemateca, o processo é realizado quase inteiramente no computador. E a digitalização de filmes é um processo mais delicado do que a de registros de som devido à natureza do suporte antigo - a película tende a ser mais frágil que discos de vinil.
Ambos órgãos são públicos e passam pelo mesmo tipo de situação: falta de recursos financeiros. Rogério Toshiaki Kondo, de 37 anos, analista de sistemas que ajudou a desenvolver o Obras Raras da USP diz que não estão mais atualizando no site por falta de verbas. "Temos apenas 42 obras digitalizadas, sendo que 38 foram feitas com doações do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)".
Publicidade