Os lançamentos de ações entraram em banho-maria no primeiro bimestre deste ano, mas as ofertas públicas de debêntures deram um salto em relação a igual período do ano, totalizando R$ 32,2 bilhões, conforme dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). No primeiro bimestre de 2007 os lançamentos de debêntures totalizaram apenas R$ 250 milhões e R$ 16,57 bilhões em janeiro/fevereiro de 2006.
Do total captado este ano, 96% são de responsabilidade das empresas de leasing, que estão utilizando esses recursos no financiamento de automóveis. A BFB Leasing (grupo Itaú), por exemplo, captou R$ 10 bilhões; a BV (banco Votorantim), outros R$ 10 bilhões; enquanto as empresas de leasing do Bradesco e Rodobens pegaram R$ 5 bilhões cada uma.
No início de fevereiro, o governo criou limitações para as emissões de debêntures por parte de empresas ligadas a bancos, que passarão a recolher depósitos compulsórios a partir de maio, à semelhança do que ocorre com os depósitos à vista e a prazo. Para escapar do compulsório, os bancos emitiam debêntures através das empresas de leasing e esses recursos acabavam contribuindo para ampliar as atividades do conglomerado, sem recolher compulsório.
Além das empresas de leasing, as construtoras também estão lançando mão de debêntures, com captações de R$ 370 milhões por parte da Cyrela, e R$ 250 milhões da Even Construtora, em duas emissões. A Usiminas, por sua vez, conseguiu R$ 500 milhões.
Ao todo, as emissões por oferta pública registradas na CVM atingiram R$ 36,8 bilhões no primeiro bimestre, com acréscimo de 188% em relação ao mesmo período do ano passado. As emissões de ações, porém, somaram apenas R$ 20,7 milhões - ante os R$ 4,023 bilhões registrados no ano passado e muito abaixo dos R$ 2,128 bilhões de janeiro/fevereiro de 2006. A autarquia registrou ainda R$ 366,7 milhões sob a forma de BDRs do grupo GP Investments. Esse título, embora negociado no mercado brasileiro, é de emissão de empresa sediada no exterior.
As emissões de notas promissórias também cresceram no bimestre, totalizando R$ 1,76 bilhão, o que representa aumento de 78% em relação ao primeiro bimestre de 2007 e bem acima dos R$ 900 milhões de janeiro a fevereiro de 2006. Ao contrário das debêntures, que são papéis de longo prazo, as promissórias são papéis curtos, basicamente para capital de giro. A maior emissão no bimestre foi da Ultrapar (do grupo Ultra), com o registro de R$ 1,2 bilhão. A empresa participou do consórcio que adquiriu os ativos do grupo Ipiranga no final do ano passado, em associação com a Petrobras e a Braskem.
Além de debêntures, o setor de crédito imobiliário conseguiu levantar outros R$ 363 milhões no primeiro bimestre, através de emissões de recebíveis imobiliários (R$ 251 milhões) e fundos imobiliários (R$ 111,7 milhões). Os Fundos de Direitos Creditórios (FDIC), por sua vez, somaram R$ 478,6 milhões, com queda de 36,5% em relação ao contabilizado no primeiro bimestre de 2007 e bem abaixo dos R$ 1,516 bilhão registrados em janeiro/fevereiro de 2006.
Os fundos de investimentos em participações (FIPs) também registraram queda no bimestre passado, em relação a igual período do ano passado, com emissões de R$ 1,467 bilhão. Em janeiro/fevereiro de 2007, os FIPs emitidos somaram R$ 3,471 bilhão. Os fundos especializados em aplicações em produções cinematográficas com incentivos fiscais (Funcine) totalizaram R$ 50 milhões no bimestre, conforme os dados da CVM.