Fanáticos pela web invadem a Bienal Por Rodrigo Martins São Paulo, 13 (AE) - Sai o glamour dos estilistas famosos da Fashion Week e entram os computadores invocados dos "nerds faixa preta". Desde a meia noite de segunda-feira, a Bienal, no Ibirapuera, foi invadida por loucos e fanáticos pela rede mundial.
Cerca de três mil pessoas acamparam no prédio projetado por Oscar Niemeyer para passar uma semana conectados sem parar a uma velocidade 5 gigabits por segundo - 625 vezes mais veloz do que a conexão mais rápida existente no País.
Num clima hippie-tecnológico, a Campus Party, que rola em São Paulo até domingo, reúne gente de todas as tribos: do programador de software ao blogueiro e do gamer a interessados em astronomia. É uma lan house gigantesca, inspirada no evento espanhol com o mesmo nome. Os participantes dormem em barracas e dividem banheiro e refeitório. Na bagagem não pode faltar o item mais importante: o computador (de mesa mesmo!).
E tem gente vindo de longe para participar. Caravanas do Rio Grande do Sul, Goiás e Ceará chegaram ao Parque do Ibirapuera. De Brasília, a "webempresária" Luciana Ribeiro, de 30 anos, organizou uma turma de 30 pessoas. "Saí divulgando a caravana no Orkut para reunir as pessoas", conta. "Vim à Campus Party para conhecer gente e participar de festas e atividades. Estou tranzendo o meu desktop na mala." E quem é o público que participa? De acordo com o coordenador do evento, Marcelo Branco, há muitos menores de idade - eles podem acampar, desde que com um responsável -, mas a maioria será de maiores de 18. "O público tem até 30 anos", explica. "E há mais mulheres do que no evento da Espanha. No Brasil, a internet é bem mais feminina." Para comportar esse batalhão de amantes dos bits e bytes, a Bienal entrou em reformas desde o começo do mês. Tapumes de madeira no térreo formaram salas para palestras; um banheiro com 21 chuveiros (que serão compartilhados pelos 3 mil participantes!) foi construído nos fundos do prédio; o segundo andar virou um "camping de cimento" onde ficarão as barracas.
O primeiro andar bomba. Foram colocadas 1.200 mesas, em 106 fileiras, além de cabos de rede. É lá que os participantes montam seus computadores. Cada um fica no setor que mais se identificar. São dez opções: astronomia, blog, criação artística, desenvolvimento de software, games, tunagem de PCs, música, robótica, simuladores e (ufa!) software livre.
Segundo Branco, as áreas mais procuradas são, nesta ordem: software livre, desenvolvimento de softwares e games. "Mas a idéia é que todos interajam com todos. Queremos reunir as diferentes comunidades." Para suportar quase 3 mil computadores ligados ao mesmo tempo a organização teve de recorrer a geradores de energia. "As instalações da Bienal não suportariam tantos PCs ligados ao mesmo tempo", diz o produtor geral do evento, Renê Serra. Foram instalados nada menos do que 24 geradores, o suficiente para iluminar uma cidade de 5 mil habitantes. O sistema de ar condicionado também foi modificado. "Com o calor de tantos micros ligados ao mesmo tempo, o ambiente ficaria insuportável", diz Serra.
Já para que ninguém fique sem conexão - e que os tão propalados 5 gigabits por segundo realmente funcionem - a Telefônica, patrocinadora do evento, recorreu à fibra ótica. "O sinal da rede, emitido por roteadores internacionais, irá direto para a Bienal sem passar por centrais telefônicas ou caminhos que possam causar degradação. Não irá faltar conexão", informa o diretor de engenharia da empresa, Ari Falarini.
E se o participante não quiser ficar 24 horas por dia na internet haverá alguma outra opção? Sim. A Campus Party conta com cerca de 220 palestras, que abordarão temas dos mais distintos, como blog, software livre, inclusão digital e até TV digital. Na programação não há nomes de peso ou inéditos no Brasil. A exceção fica por conta do escritor norte-americano Steven Johnson. No mais, haverá "estrelas" como a blogueira Marimoon, o astronauta Marcos Pontes e o ativista do software livre Jon Maddog Hall.
O evento é fechado para os participantes que já se inscreveram e pagaram uma taxa de R$ 100. Se você não está entre eles e quiser, pelo menos, ter um gostinho, haverá uma área aberta ao público, onde estarão os estandes dos patrocinadores, e o CampusFutura, com tecnologias futurísticas. Para entrar, porém, é preciso um convite, que é gratuito. Vá ao site www.campusparty.com.br e imprima o seu. NÃO PERCA QUINTA 11h30: início das competições de games; 13h: minicurso de robótica livre; 15h30: bate-papo com a VJ da MTV e blogueira Marimoon; 16h30: oficina arte com lixo digital; 17h: palestra Jornalismo e a nova economia, com os jornalistas Heródoto Barbeiro, Zeca Camargo e Paulo Markun; 19h: palestra com Jon "Maddog" Hall; 20h: palestra com o escritor e colunista Steven Johnson; SEXTA 12h30: início das competições de games; 11h30: festival de instalação do sistema operacional livre Debian; 12h: palestra com o criador do Anima Mundi, Marcos Magalhães; 17h: palestra O que pensam e como agem os hackers, coordenado pelo sociólogo Sérgio Amadeu; 19h: palestra com o astronauta brasileiro Marcos Pontes; 20h: debate Qual é a dos blogs nas corporações?; 22h: competição Tentativa de quebra de recordes para overclocking.
SÁBADO 11h30: festival de instalação em massa do sistema operacional Ubuntu; 13h: início das competições de games; 15h: oficina Fotografar o céu com câmeras digitais; 15h30: palestra com Wagner Martins, o Mr. Manson, do blog Cocadaboa; 18h: oficina Incremente seu blog.