Mergulhada num endividamento de R$ 284 milhões, a Gradiente, tradicional marca de produtos eletroeletrônicos, está recorrendo ao apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Com poucos produtos no mercado, a Gradiente iniciou negociações com o banco para a sua reestruturação.
De acordo com pessoas que acompanham as conversas, uma das hipóteses para o socorro à empresa seria o BNDES financiar um novo investidor na companhia. O banco não se pronuncia a respeito. Mas, segundo fontes, empréstimo direto, neste caso, é tecnicamente impossível.
Em fevereiro de 2005, na gestão de Carlos Lessa à frente do BNDES, a instituição emprestou R$ 100 milhões para reforçar o fluxo de caixa da Gradiente, por meio do Programa de Apoio ao Fortalecimento da Capacidade de Geração de Emprego e Renda (Progeren), criado no ano anterior. De acordo com as fontes próximas às negociações, a Gradiente estaria em dia com o pagamento desse financiamento, que deve ser quitado até 2011. Na época em que recebeu o empréstimo do BNDES, a empresa chegou a informar que esperava um aumento de 30,9% em suas vendas por causa dos recursos financiados pelo banco. A fabricante também anunciou logo após receber o dinheiro do BNDES a contratação de 256 funcionários. Naquela ocasião, caso a companhia atingisse as metas de crescimento, o custo do financiamento cairia de 9% para 3,5% ao ano mais a TJLP (de 9,75%, em fevereiro de 2005).