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Symetrix anuncia instalação de fábrica de semicondutores no Brasil

15/01 - 19:09 - Agência Estado

A Symetrix Corporation, empresa americana que tem entre seus donos um brasileiro, pretende alcançar, em cinco anos, um faturamento anual de US$ 1 bilhão com a fábrica de semicondutores (chips) que planeja instalar no Brasil. O presidente da Symetrix, Carlos Paz de Araújo, disse há pouco, ao anunciar o negócio, em entrevista coletiva, que em 90 dias a unidade física da fábrica começará a ser construída.

Ainda não está definido o local de instalação, mas três Estados disputam o direito de sediar a fábrica: São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco. A construção da fábrica para o Brasil é um projeto que vem sendo estudado há quatro anos, segundo o presidente da Symetrix do Brasil, Marcelo Teixeira, que apresenta o projeto nesta tarde ao ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Resende.

O negócio se tornou mais viável, segundo Teixeira, depois da edição de um decreto presidencial, em outubro de 2007, que isenta as fábricas de semicondutores de todos os impostos federais, inclusive de Imposto de Renda. Segundo Teixeira, também há incentivos fiscais nos três Estados, com redução de 97% dos impostos estaduais no Rio de Janeiro e de 75% em São Paulo e Pernambuco.

Araújo, que é professor na Universidade do Colorado (EUA) há 25 anos, disse que para a escolha do local também serão levadas em conta outras condições, como conveniência de exportação. Os executivos da empresa se reúnem amanhã como o governador do Rio, Sérgio Cabral e, na próxima terça-feira, com o secretário de Desenvolvimento do governo paulista, Alberto Goldman.

Serão investidos na fábrica US$ 1 bilhão, que virão de recursos próprios e de investidores, entre eles um grupo australiano. Ele não descartou ajuda do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mas disse que a captação de recursos não é problema. A empresa deverá, em março, abrir seu capital na Bolsa de Valores de Nova York.

A fábrica, que terá 700 funcionários, será usada para a produção de cartões inteligentes. Nesses cartões, conhecidos como smart cards, o chip não é aparente, e a memória que registra os dados é altamente resistente. A tecnologia da Symetrix pode ser usada em cartões de saúde, de fidelidade e de acesso a redes de computadores e em carteiras de motorista e carteiras de estudante, por exemplo.

A fábrica, segundo Araújo, pode produzir qualquer tipo de semicondutores, inclusive aqueles usados em equipamentos de TV digital, mas não há nada previsto nesse sentido. O mercado de semicondutores movimenta no Brasil de US$ 3 bilhões a US$ 4 bilhões por ano.

A tecnologia da Symetrix já é utilizada nos trens, metrôs e carteiras de habilitação do Japão. Esses cartões do Japão foram fabricados pela Panassonic, que tem 10% da Symetrix. A fábrica no Brasil será a primeira da empresa, que desde 1986 comercializa patentes.

A empresa já desenvolveu também nos capacitores usados em aparelhos auditivos e um chip que lê raios infravermelhos, permitindo enxergar no escuro. Essa tecnologia é usada também por equipes médicas de socorro e possibilita a visualização de veias.

O cartão da Symetrix funciona sem contato com a leitora, que identifica os dados do cartão por ondas de rádio. "Você não precisa tirar o cartão da carteira para passar diante da leitora", explicou. A empresa desenvolveu um projeto para o Hospital Universitário Ana Bezerra, no Rio Grande do Norte, que utiliza um cartão para recém-nascidos, armazenando todos os dados da criança até completar dois anos.

A empresa produzirá também etiquetas eletrônicas para substituir o código de barras e pode ser usada em bebidas e outras mercadorias sujeitas a tributação. A Symetrix está desenvolvendo um programa com o uso de chips para o Rio de Janeiro. Araújo não revelou em qual área a tecnologia será utilizada, disse apenas que o projeto será anunciado em dois meses e terá uma demanda de 8 milhões de cartões.




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