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8 anos de Último Segundo por Flavio Gomes

10/01 - 11:48 - Flávio Gomes

Fui chamado numa tarde quente de novembro de 1999 a um enorme edifício de escritórios na Nova Faria Lima. O recado era de Matinas Suzuki Jr., que eu não via desde 1994, quando saí da "Folha de S.Paulo". A internet já tinha quatro ou cinco anos de vida, mas ainda engatinhava no Brasil. O iG era uma idéia ainda fora do ar. Mas com grandes pretensões.

Encontrei o Matinas no prédio enorme e, como sempre foi quando nos reunimos para questões de trabalho, o papo foi rápido e objetivo. "Flavinho, queremos ter o maior site de automobilismo do Brasil", disse.

Eu já tinha uma página no ar, a Warm Up, nome de minha agência de notícias que desde 1995 cobre F-1 para jornais de todo o país. Era parte do caminho percorrido, mas muito pouco diante do gigantismo da idéia. "OK", eu respondi.

Em dois meses, formei uma equipe e o site ganhou forma e novo nome: Grande Prêmio.

O iG começou a bombar no início de 2000, com sua espinha dorsal chamada Último Segundo ancorando os sites parceiros. O Grande Prêmio foi um deles desde o "número zero" do portal. Ainda é. Passaram-se oito anos.

O Grande Prêmio se transformou rapidamente no maior site de automobilismo do Brasil, como queria o Matinas. Muitos nasceram e morreram nesse tempo todo. Com uma fórmula simples — fazer jornalismo como jornalismo tem de ser feito —, nós fomos ficando. Cobrindo corridas, falando de todas as categorias, seguindo uma cartilha informal do ofício que é a mesma do US: trabalho sério, bem-humorado, imparcial, absolutamente independente.

Com o Grande Prêmio, nesses oito anos, o US viajou o mundo atrás de GPs de F-1. Esteve em todos os cantos do planeta, 24 horas por dia. Demos muitos furos, antecipamos informações, vimos de perto todos os títulos de Michael Schumacher, testemunhamos os anos de Barrichello na Ferrari, o "nascimento" de Felipe Massa, o surgimento de Fernando Alonso, Lewis Hamilton, Nelsinho Piquet...

Num ritmo alucinante, o Grande Prêmio se transformou rapidamente no "braço motorizado" do US, numa referência da internet brasileira para todos que acompanham o mundo da velocidade. Todos os pilotos lêem, o universo automobilístico nacional não passa um dia sem abrir o site, temos repercussão aqui e lá fora, nosso público é enorme e nossa credibilidade é sólida como uma rocha.

Só isso seria o bastante para nos deixar orgulhosos, alimentar a motivação, fazer mover a roda. Mas tem mais. Um belo dia, cinco ou seis anos atrás, o assessor de imprensa da Ferrari veio a mim num autódromo qualquer para perguntar de onde tínhamos tirado a informação de que Massa estava vinculado à equipe italiana, e que iria substituir Barrichello dali a algum tempo — uma das muitas notícias que demos com exclusividade, antes de todo mundo.

Trabalho também em rádio e jornais, e como estou na F-1 desde 1988, sempre fui conhecido pela militância nesses veículos — mais do que na internet, um fenômeno relativamente recente. Fiquei surpreso e quis saber por que tanta curiosidade sobre uma notícia publicada em um site brasileiro, escrito em português, que eu nem sabia que era lido por ele, o assessor. "Não fui eu que li, foi o presidente Luca di Montezemolo", respondeu. "Ele recebe um resumo de tudo que sai no Grande Prêmio todos os dias pela manhã. Traduzido para o italiano. É a única coisa que ele lê da imprensa brasileira."

Não revelei a fonte, claro. Felipe, algum tempo depois, foi confirmado como titular da Ferrari. E o presidente Montezemolo, a quem agradeço pela audiência, continua recebendo suas sinopses do Grande Prêmio todas as manhãs em Maranello. Não manda perguntar mais nada. Apenas lê e se informa. É para isso que servimos. Informar. Até o presidente da Ferrari.





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