08/01 - 19:30 - Alberto Helena Jr.
Sou do tempo do Onça, se é que isso signifique alguma coisa para os meus jovens amiguinhos. Que Onça, meu? Bem, deixemos pra lá. Diria que sou do tempo da máquina de escrever, do teletipo, antes do telex.
Do tempo em que as redações, mergulhadas numa eterna nuvem de fumaça de cigarro, soavam como uma sinfonia dodecafônica de metralhar de teclas, tilintar de telefones, risadas, berros e sussurros fatais, que ecoavam mais alto do que os conspiradores imaginavam.
Eram mais do que uma oficina de textos. Eram pontos de encontro, valhacoutos de vagabundos, que zanzavam pela cidade sem ter o que fazer, que vestíamos como o velho robe de banho pendurado no gancho do banheiro de casa.
Durante anos e anos, aqueles em que, a cada viagem, era uma guerra para conseguir um espaço nos postos de telex para transmitir a crônica, o artigo, a reportagem, rezei por um gênio que inventasse algo como o fax. Pois, surge o fax, ao qual acendi uma vela em cada templo do jornalismo, que logo se apagou, diante do aparecimento do computador, da Internet.
Mágica, pura mágica, ao centro da qual fui atraído pelo Matinas Suzuki Jr., meu salvador, no exato instante em que nessa caixinha de milagres nascia o iG.
Passaram-se oito anos prodigiosos, ao cabo dos quais, toco duas teclas e entro direto em contato com o leitor, de onde estiver. Confesso que, quando termino meu ofício, vou para a cama e fico rezando para que tudo não seja um sonho. De manhã, acordo arrepiado só de pensar no que ainda está por vir no dia seguinte.
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