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Ele é o rei da assistência (técnica)

12/12 - 14:05 - Agência Estado

SÃO PAULO - O jogador Souza, do São Paulo Futebol Clube, tem diversos apelidos no meio futebolístico. Para os admiradores de seu jogo, ele é o Showza.

Por fazer as vezes de lateral, meia ou volante, ele é chamado pelos jornalistas de curinga. Já para quem não suporta suas declarações polêmicas, ele é um falastrão.

Mas uma alcunha que o camisa 10 realmente gosta é de "rei das assistências", já que se destaca na equipe do Morumbi por ser um atleta que dá muitos passes decisivos para gol. Porém, entre os jogadores são-paulinos, Souza é rei de outro tipo de assistência: a técnica.

Pois é. Quem imagina que jogador de futebol só se interessa por carros importados, roupas de marca e cordões de ouro está enganado. A moda agora entre os atletas - principalmente os mais novos - é competir por quem tem mais traquitanas hi-tech. É o videogame de última geração, o último iPod lançado, o iPhone destravado, o carro mais incrementado...

"O pessoal tem dinheiro e compra muita coisa nova o tempo inteiro, mesmo sem saber como mexer naquilo", diz. "Não adianta você entrar no mundo da tecnologia sem saber o que está acontecendo e o que você precisa. É preciso ter inteligência", completa o "técnico".

Quando Souza cita a palavra "inteligência", ele não quer chamar os colegas de equipe de burros. "Não é isso. O que me diferencia deles é que eu busco informações antes de comprar algo", explica. "Como todo ser humano, a gente vê algo interessante e quer logo comprar. A diferença é que nós (jogadores de futebol) compramos mesmo, porque nosso trabalho nos dá essa oportunidade", conclui.

E compram mesmo, diga-se de passagem. Tanto, que durante as concentrações, toda hora algum jogador são-paulino bate na porta do quarto de Souza, pedindo para ele destravar o toca-MP3, liberar alguma função bloqueada do celular ou instalar certo software no notebook.

"São coisas simples. Vai desde instalar uma webcam até indicar um programa que baixe músicas ou um software que converta vídeos para o iPod", explica. "Já falaram para eu colocar na porta uma placa dizendo ‘Assistência Técnica do Souza’ e o valor a ser cobrado", ri.

Feito o reparo, o jogador também dá toques para os atletas não repetirem mais o erro. Sua dica básica é saber xeretar na web - isso na hora de comprar um novo eletrônico ou quando for consertar alguma coisa.

Essa ajuda é importante para os colegas de equipe estarem informados sobre as novidades hi-tech e não caírem mais nos golpes que vendedores tentam aplicar nos atletas. Afinal, é meio senso comum que eles são ricos e sem muita formação escolar. Traduzindo: fáceis de serem trapaceados.

"Os jogadores estão mais informados, graças à internet. Acabou esse tempo do pessoal chegar aqui na entrada do C.T. (Centro de Treinamento) e querer vender coisas que não tínhamos noção", diz. E o que seria essa mercadoria? "Ouro, relógio... Agora estão vendendo bastante computador e iPod. Já vi gente tentando me pôr em um ‘rabo de foguete’, querendo vender por uma fortuna um notebook de configuração básica." "Para comprar um notebook é preciso ver a memória RAM e o disco rígido, o processador... Não basta ele ser bonitinho. Depois você quer colocar um programa lá para mexer com vídeos e o negócio fica todo lento!", diz, seguro.

Consumismo digital

Souza diz que não sabe quanto dinheiro já gastou com aparelhos eletrônicos. Afinal, no frenético mundo da tecnologia, o que é novidade hoje já fica obsoleto no outro dia. "Sou obsessivo: se eu quero, eu compro. Você fica com um carro por um, dois anos. Já esses aparelhos você já troca amanhã. Eu vendo tudo depois e deixo tudo prometido para amigos que já ficam de olho", diz.

Os jogadores sabem disso, e Souza, graças ao seu conhecimento hi-tech, virou a cobaia do pessoal, uma espécie de selo de garantia. Se ele aparece no C.T. exibindo um novo "brinquedinho", o elenco tricolor tem a certeza de que ali está algo aprovado por um bom entendedor.

Aí acontece algo bizarro: ou os jogadores disputam para comprar o eletrônico do colega de time ou, no dia seguinte, vários aparecem com um mimo digital igualzinho. É uma realidade absurda para os ouvidos de grande parte dos brasileiros, mas no universo dos boleiros...

"Estou no segundo iPhone. Bastou eu mostrar que tinha um destravado para todo mundo comprar", comenta. "Já quando eu comprei minha BMW, com navegador GPS e Bluetooth, o Leandro e o Hugo apareceram com o mesmo carro."

Consumista hi-tech confesso, Souza tem tudo do mais moderno em sua casa. O iPod é de 80 GB, mas ele já se diz satisfeito com tanto espaço. Sua caixinha de som para o tocador da Apple e seu fone de ouvido são ambos da Bose, marca que se caracteriza por fabricar aparelhos de áudio muito bons - e também bem caros.

Sua televisão é de plasma, mas ele já pensa em trocá-la por uma de LCD, com entrada HDMI, para jogar seu Xbox 360. Aliás, videogames são o seu fraco. Ele tem os consoles Nintendo Wii e PlayStation 3, além do repaginado PSP Slim, mas admite que é o aparelho da Microsoft o seu grande xodó.

"Sou fissurado mesmo. Agora só jogo Ghost Recon (Graw) no Live (rede online do console) com pessoas do mundo inteiro. No Live eu compro filmes, músicas, baixo demos e participo de várias comunidades. Fiz vários amigos assim", diz.

Agora o atleta diz que está vendendo o seu PS3. "Não estou usando. Já pesquisei no Mercado Livre quanto ele custa e estou vendendo. Escreve isso no jornal para fazer uma propaganda", brinca.

Ah, não dá para esquecer: o site de leilões virtuais é o lugar predileto para Souza fazer seus escambos. O motivo: lá tudo é mais barato, mesmo para uma pessoas de grande poder aquisitivo, como ele.

"No Brasil você paga imposto até para ir ao banheiro! Eu falo para os jogadores não comprarem nada pirata, pois, se der algum problema, não vai dar para encontrar peças de reposição depois", explica. "Tecnologia é aquele velho papo: o barato pode sempre sair caro."





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