SÃO PAULO - Se você gosta de idéias originais, vai apreciar o fato de que o game World in Conflict (Sierra, R$ 59,00, só para PCs) consegue se manter fresco e inovador em diversos aspectos. Alguns são tão grandiosos que parece óbvio notá-los, já que fazem seu papel em renovar o gênero de estratégia em tempo real, principalmente no modo de multijogador.
É um jogo de guerra: no entanto, em vez de tentar se ater a fatos historicamente calculados e estudados, o título oferece uma alternativa à história dos acontecimentos da Guerra Fria e suas conseqüências. Na verdade, você pode até se sentir em um game de ação, que disfarça a sua natureza, propondo uma base calcada em estratégia.
O ano é de 1989, mas o muro de Berlim não está prestes a cair e, assim, o comunismo não está completamente ameaçado. No lugar desses eventos, a extinta União Soviética opta por atacar a Europa Ocidental e, enquanto as forças norte-americanas correm para ajudar seus aliados, mais tropas atacam a cidade de Seattle, nos EUA. Seu papel é comandar as defesas da cidade e, depois, partir para a Europa Ocidental, União Soviética e até ver os conflitos se desenrolando em Nova York.
Assim como em Command & Conquer, outra grande franquia de estratégia, World in Conflict conta com um narrador notório, o ator hollywoodiano Alec Baldwin, que faz um excelente trabalho, juntamente com outras vozes dos soldados, que preenchem o espaço sonoro com conversas acertadas sobre a guerra e alguns discursos emocionados, sem necessariamente serem clichês ou forçados.
E, se um dos pontos fortes do jogo é tentar atingir o jogador a um nível mais pessoal, certamente seu ápice é mostrar o campo de batalha. WiC é grandioso, repleto de minúcias e ambientes enormes, em uma apresentação gráfica detalhista e muito, muito bela. A física e os efeitos de destruição acompanham a veracidade visual, o que transforma o jogo em um dos mais interessantes cenários, nem que seja para destruí-los.
O objetivo na jogabilidade, no entanto, não é ser complicada demais. O sistema de pedra-papel-tesoura - em que cada unidade ataca melhor um oponente, mas é frágil contra outro - funciona bem e torna as coisas mais simples. Fato: o balanceamento bem feito das estruturas é algo crucial para o desenrolar do game. Aqui, tudo corre como o planejado, mesmo contendo artilharias terrestres e aéreas. Outro ponto importante é o sistema de recursos, que permite a compra de novas unidades, cada qual com sua habilidade específica, o que permite maiores escolhas e possibilidades de jogo.
Porém, são aqueles com acesso à internet que podem aproveitar o filé de WiC. Com um modo multijogador feito com esmero, este se torna a melhor opção do game. A ação funciona apenas se feita em times e tudo funciona logo ao clique do mouse (até mesmo o servidor), sem a espera usual de games de estratégia. O melhor é se munir de microfone, pois a luta online é intensa e demanda concentração.