10/10 - 14:26 - Agência Estado
SÃO PAULO - Já faz um tempo que as brincadeiras mais tradicionais, como jogar bola ou empinar pipa, estão perdendo espaço para o mundo dos eletrônicos. A atividade agora é a internet.
Os pequenos estão cada vez mais presentes na rede. De agosto de 2005 a agosto de 2007, o número de pessoas na web com idade entre 2 e 11 anos aumentou 77%, enquanto o crescimento geral da internet no País foi de 66%, de acordo com dados do Ibope/NetRatings.
"Com a popularização da banda larga, as crianças e as pessoas mais idosas entraram na rede porque ficou mais rápido e mais fácil de navegar", explica José Calazans, analista de mídia do Ibope. Entre as meninas, o porcentual é ainda maior: 84%, contra crescimento de 70% dos meninos no período. "Em qualquer cultura, os homens são os primeiros a adotar a tecnologia. Mas, entre as crianças, o sexo feminino já é maioria há dois anos", afirma.
Com o avanço das crianças na internet, cresce também o valor que elas dão à tecnologia. Uma pesquisa do Cartoon Network fez a seguinte pergunta para pessoas com idade entre 7 e 15 anos: "Ao que você dá mais valor em si mesmo?".
Cerca de 40% dos meninos responderam "ser bom com a tecnologia". Ainda segundo esse levantamento, o presente mais desejado para o Dia das Crianças são os toca-MP3/MP4 e os iPods, seguidos de dinheiro e depois de videogames. Ricardo Portela, gerente de marketing do Shopping Ibirapuera, confirma a tendência. "A procura por esse tipo de produto cresceu 12% de 2006 para 2007 na época do Dia das Crianças."
Francisco Lima, de 8 anos,tem alguns brinquedos eletrônicos, como o videogame, mas não deixa de lado as brincadeiras mais tradicionais, como montar cabanas e fazer barquinhos. "Eles têm de ter brinquedos comuns para estimular a criatividade", diz a a mãe do menino, Mariana. Ele inclusive usa a internet para achar brinquedos raros.
"O Francisco encontra, em sites americanos, brinquedos antigos. São lindos, mas caríssimos. E ele pesquisa mesmo, olha vários e vem com o que ele quer", conta Mariana. Ele também navega para jogar e fazer trabalhos de escola e até procurar brinquedos. "Na maioria das vezes, entro para jogar. Tem um site que tem 1 milhão de jogos. Não, 1 milhão não, mas uns mil deve ter", diverte-se.
O irmão de Francisco, Vinícius, tem apenas 5 anos, mas também é internauta. "Ele ainda não sabe ler, mas acessa a internet. Os sites de joguinhos que eles gostam são bastante visuais, então o Vinícius consegue se virar", explica a mãe. Só que a rede na casa dos dois não é liberada. "Eles podem usar mais ou menos uma hora por dia, de computador ou videogame. Essas atividades costumam ser muito repetitivas", destaca Mariana.
Segundo especialistas, esse controle é importante, especialmente para as crianças. "Até os 11 anos, a pessoa não é neurologicamente madura o suficiente para saber quando está exagerando. Os pais devem impor esse limite para que, futuramente, a criança aprenda a colocar esse limite sozinha", afirma Andrea Jotta Nolf, psicóloga do Núcleo de Pesquisa da Psicologia em Informática da PUC-SP.
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