08/10 - 09:24 - Agência Estado
SÃO PAULO - A Microsoft reformulou seu tocador de música digital Zune, cuja venda andava lenta, e criou um site no estilo da rede de relacionamentos MySpace no seu drive para competir com o líder do mercado, o tocador iPod da Apple. Em grande parte, as medidas anunciadas pela Microsoft na terça-feira passada - o lançamento de uma versão menor e mais elegante do tocador Zune e o planejado site na web chamado Zune Social - são o reflexo de uma tentativa de formar escala para um marca que, até agora, só atingiu um nicho.
A Microsoft informa que vendeu cerca de 1,2 milhão de unidades do equipamento original no ano passado. "Para algo que fizemos em seis meses, estamos muito contentes com o que conseguimos", disse o presidente do conselho da Microsoft, Bill Gates. "A satisfação com o aparelho foi superalta. Já quanto à satisfação com o software, esperamos ver um enorme aumento este ano.
No que se refere ao software, o resultado foi apenas médio." A Microsoft disse que reformulou o hardware e o software do Zune e a loja de música digital virtual a ela associada para torná-los mais fáceis de usar. "Tenho certeza que, daqui a um ano, nos sairemos ainda melhor", disse Gates. "Mas estou encantado com o eles conseguiram fazer em um ano." Muitas das mudanças são estilísticas. A empresa refez o botão de navegação do aparelho e tirou uma de suas cores marca registrada, o marrom, da sua lista de opção de cores. O Zune agora estará disponível em azul, rosa, verde e vermelho.
Mas uma das mudanças mais surpreendentes teve a ver com a tentativa da Microsoft de melhorar o que talvez tenha sido a recurso mais comentado do aparelho original - a capacidade de compartilhar arquivos de música e outras mídias sem fio com outros proprietários de Zunes. No entanto, muito pouca gente comprou o tocador para que tal compartilhamento se tornasse um lugar-comum, e a função despertou pouco interesse porque foi prejudicada por normas de uso negociadas com a indústria musical.
As canções compartilhadas expiravam dentro de poucos dias, mesmo se o receptor não as tivesse tocado. Além disso, um arquivo adquirido de um usuário do Zune não podia ser compartilhado com um terceiro usuário. Segundo as novas normas, as canções compartilhadas não terão data de vencimento e será possível passar adiante repetidas vezes músicas enviadas de um aparelho para um outro. Mas um arquivo compartilhado só pode ser tocado três vezes em cada Zune.
Em parte para aquecer a recepção inicialmente morna, a empresa está criando um site de relacionamento, o Zune Social, para incentivar o compartilhamento de amostras de canções online, mesmo para fãs que não possuem um tocador Zune.
Os membros da rede também poderão usar um pequeno aplicativo no seus computadores para mostrar que canções eles têm escutado e essa informação pode ser postada em determinados sites na web fora da rede ou enviada para amigos por e-mail. "A idéia que está por trás do Zune é muito mais ampla do que os próprios equipamentos", disse J. Allard, vice-presidente da Microsoft que supervisiona o projeto e o desenvolvimento de produtos ao consumidor, como o Zune e os consoles de jogos como o Xbox 360. "A idéia condicionada é que um dispositivo portátil é o ponto central da experiência, quando, na realidade, não é isso.
Trata-se de como nós começamos a levar o Zune além desse dispositivo". Ele disse que a rede de relacionamento agradará aos proprietários do Zune e às pessoas que não compraram o aparelho. Uma versão com capacidade de armazenamento de 80 gigabytes, disponível somente na cor preta, será vendida por US$ 250. Uma versão que usa memória flash com capacidade de armazenamento de 8 gigabytes custará US$ 200, e com 4 gigabytes o preço será de US$ 150, disse a empresa. "É o suficiente para conseguir que alguém troque a Apple pela Microsoft? Creio que não", disse Van Baker, um analista da firma de pesquisa Gartner. "Mas deve ajudar a Microsoft contra as outras alternativas." A Microsoft informou, também, que o acervo de canções disponíveis no seu serviço de música digital logo incluirá mais de um milhão de trilhas sem software para proteção contra cópia, conhecido na indústria musical como gerenciamento de direitos digitais (DRM).
Mas a empresa observou que mesmo as canções sem proteção contra cópia só poderão ser tocada três vezes uma vez passadas de um usuário do Zune para outro.
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