Com a rede de terceira geração (3G) que está prestes a inaugurar, a Claro quer se armar para competir com as concessionárias fixas na oferta de banda larga. A data de lançamento ainda está envolta de mistério.
A sinalização é de que o início das operações pode se dar em semanas ou até mesmo dias. Mas uma coisa é certa: a operadora de telefonia celular está nos ajustes finais para colocar no mercado sua nova tecnologia. E usará a política de subsídios para alavancar suas vendas.
A aposta do presidente da Claro, João Cox, é a de que o uso desta nova plataforma não só dará às operadoras móveis uma posição de destaque no mercado de internet rápida, como também provocará "o mesmo efeito social" gerado com os celulares pré-pagos. "Até o advento da privatização, o celular era coisa de rico. Depois do fenômeno pré-pago, passou a figurar entre as classes de menor poder aquisitivo, abrindo a estas pessoas o acesso à comunicação", afirmou. Na avaliação do executivo, a disseminação do 3G vai preencher a lacuna na cobertura de banda larga, já que "apenas 280 cidades no Brasil tem internet rápida e só 2% delas possui velocidade acima de 1 Mbps".
Para se firmar neste novo negócio, a Claro continuará lançando mão dos subsídios que hoje fomentam a venda de aparelhos celulares. "Não é a tecnologia que vai mudar o modelo de negócios", resumiu o diretor de Serviços de Valor Agregado da Claro, Marco Quatorze. A operadora também deve criar diferentes pacotes de serviços para incentivar a comercialização e acredita que esta estratégia pode dar ao assinante mais flexibilidade no pagamento de suas contas.
Em encontro com jornalistas brasileiros em Londres, realizado na semana passada pela Claro e Qualcomm para mostrar como funciona na Inglaterra esta "realidade que está chegando ao Brasil", Quatorze disse que, além de trabalhar com celulares adaptados à tecnologia 3G, a Claro vai vender um modem USB para acesso sem fio de computadores à internet. O modem também funcionará na plataforma 2G, de modo a contornar situações em que não houver sinal, e permitirá ao usuário fazer chamadas telefônicas pelo computador. Em uma das apresentações feitas em Londres, o presidente da Ericsson no Brasil, Johan Wibergh, comentou que, na Europa, o produto mais vendido nos últimos tempos não foi o celular, mas o modem que faz a conexão à internet. Ao citar que são fabricados, mundialmente, cerca de um bilhão de celulares, contra uma média de 200 milhões de televisores e de computadores pessoais, o executivo concluiu que a tendência é que a maioria das pessoas passe a entrar na grande rede por meio de dispositivos do terminal móvel. A velocidade comercial que a rede HSDPA da Claro deve alcançar, segundo Quatorze e Cox, deve ficar "na fronteira" dos 3,6 e 7,2 Mbps. "É o estado da arte. Queremos oferecer o que há de melhor", destacou o presidente da Claro. A empresa vai instalar sua rede de terceira geração na freqüência de 850 MHz, pois tem sobra de espectro nesta banda. Mesmo se antecipando ao leilão de faixas da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), previsto para ocorrer até o fim deste ano, Cox reiterou que participará, sim, da licitação de outorgas para operar 3G em 2,1 MHz. Sem revelar detalhes sobre o plano de negócios que norteará o lançamento da sua rede 3G, Marco Quatorze disse esperar que o acesso à internet pela rede móvel represente um importante substituto da banda larga das fixas já em 2008. "Vamos conquistar os clientes que precisam trabalhar com mobilidade", observou.
O presidente da Qualcomm, Marco Aurélio Rodrigues, é mais comedido em sua assertiva e prefere não utilizar o termo "substituto". Ele acha que, assim como ocorreu em outras situações do mercado de telecomunicações, essa tecnologia vai se somar àquelas hoje disponíveis no mercado. Contudo, segundo ele, o recurso a ser oferecido pela telefonia móvel tende a ser "predominante", a julgar pelo movimento que vem se consolidando no exterior.
Estudo da Wireless Intelligence para o segundo trimestre de 2007 mostra que 174 operadoras em 78 países utilizam o padrão UMTS (WCDMA release 99, cuja velocidade média é de 200 kbps a 300 kbps). A tecnologia HSDPA, que será implantada pela Claro, está presente em 63 países e é adotada por 128 operadoras. Os padrões tecnológicos vêm do tronco CDMA, cujas derivações EV-DO e CDMA2000, usadas pela operadora móvel Vivo, já eram consideradas pela União Internacional de Telecomunicações (UIT) como sendo de terceira geração. Por permitir maior velocidade no tráfego de dados, os principais serviços que a tecnologia 3G tem despertado no mundo são vídeos no celular (videochamada, televisão pela internet, vídeo sob demanda), banda larga móvel (download de músicas e vídeos inteiros), mapas online e jogos. Com o avanço da tecnologia e a produção em maior escala, a expectativa é de que o barateamento de preços dos terminais munidos com esta tecnologia seja tão rápido quanto o visto na Europa, quando a tecnologia 3G foi lançada em 2003, mas ainda está evoluindo e experimentando novos saltos. A repórter viajou a convite da Claro e da Qualcomm.