"Não houve tanta mudança" Por Rodrigo Martins São Paulo, 18 (AE) - Ele foi o criador da primeira comunidade virtual de que se tem notícia, o Classmates. Ex-gerente corporativo da empresa de aviões Boeing, em 1994, o norte-americano Randy Conrads teve a idéia de lançar um serviço na internet para facilitar a localização de ex-colegas de colégio.
O site, que tinha formato de buscas e de troca de recados semelhante ao das comunidades de hoje, estreou na web em 1995 e está no ar até hoje, mas não pertence mais a Conrads. Atualmente, ele se dedica a um novo negócio: a comunidade RedWeek.com, para a integração de executivos.
AGÊNCIA ESTADO - Em 1995, quando você criou o Classmates, no que você se inspirou? RANDY CONRADS - Eu sempre trabalhei para os outros e queria uma fonte independente de renda. Então, ao organizar a minha reunião de 20 anos de colégio, vi que havia um interesse muito emocional em conectar velhos amigos. E percebi que as pessoas poderiam pagar por isso (o site possui a modalidade gratuita, com algumas limitações, e a paga).
AE - Foi difícil convencer as pessoas a usarem a novidade? CONRADS -Eu trabalhei um ano no site antes de lançá-lo. E larguei o meu emprego seis meses antes. Não consegui ver a cor do dinheiro por dois anos. E quando começou a dar lucro, era cerca de 30% do meu salário antigo. No fim de 1998, tínhamos um milhão de usuários, o suficiente para conseguir investimentos. Em 1999, recebemos US$ 12,5 milhões em investimentos e aumentamos o nosso banco de dados para três milhões de usuários, mas a nossa conta ainda não fechava. Só fechamos no azul em 2000. Na mesma época, havia a tal da bolha da internet, que fez muitos sites quebrarem. Muitos não estavam preocupados com a rentabilidade. E nós sobrevivemos à bolha. Vendi o site em 2004, para recuperar o meu investimento (o valor da transação foi de US$ 100 milhões) e para diversificar os meus negócios na web.Hoje, temos vários sites de relacionamento, como o AE - Orkut, o MySpace, o Facebook, etc. Que diferenças você vê entre eles e o Classmates de 1995? CONRADS -A diferença é que eles são para jovens. Tem que haver sites para pessoas mais velhas também, por interesses. Essa é uma área com grandes oportunidades. E não vejo tantas diferenças entre o Classmates de ontem e as comunidades virtuais de hoje. Há evoluções na tecnologia, é claro. Mas os sites continuam no mesmo sentido: conectar as pessoas. Hoje, tem mais gente com banda larga. Os anunciantes estão aumentando... Mas também há muitos sites que não contam com um negócio rentável. Pode ser uma nova bolha, como a que presenciei em 2000.
AE - Que futuro você vê nas comunidades virtuais? CONRADS -Acredito que o próximo passo será termos sites de relacionamento com assuntos determinados. Os sites especializados em nichos serão muito populares nos próximos cinco anos. E é por isso que estou apostando em uma comunidade focada para homens de negócio.