Enquanto os americanos eram bombardeados por notícias sobre a estréia do iPhone, muitos na indústria de tecnologia da Coréia do Sul e do Japão bocejavam diante do espalhafatoso aparelho da Apple. Nesses países saturados de tecnologia, os celulares já oferecem música digital, videogames e televisão via satélite.
No entanto, vendo o iPhone mais de perto, analistas e executivos do setor agora temem que os fabricantes asiáticos tenham subestimado a ameaça da Apple.
Na Coréia do Sul, especialistas dizem que o iPhone, com seu navegador de Internet completo e tela sensível ao toque com ícones coloridos, é mais que um mero celular envenenado. Eles temem que o aparelho ultrapasse os fabricantes asiáticos e entre na era da convergência digital combinando computação pessoal e tecnologia móvel como nunca foi feito antes.
"O impacto da Apple será maior do que imaginam os fabricantes asiáticos", afirma Kim Yoon-ho, analista da Prudential Securities, de Seul. "O iPhone é diferente dos aparelhos anteriores. É o protótipo dos celulares do futuro." O temor agora é que a Apple repita, nas comunicações sem fio, o que conseguiu na música com o iPod: mudar a indústria. Como ocorreu quando o iPod foi lançado, há seis anos, grandes fabricantes asiáticos como Samsung e Sony poderão ser atropelados, dizem analistas e executivos.
Na Coréia do Sul, os fabricantes levam a ameaça a sério e correm para produzir aparelhos semelhantes ao iPhone. Antes do fim do ano, a Samsung, maior fabricante de celulares do país, lançará o Ultra Smart F700, com uma grande tela sensível ao toque exibindo fileiras de ícones, à maneira do iPhone.
A LG Electronics, outra grande fabricante sul-coreana, começou a vender um smartphone (celular com computador de mão) na Itália que pode exibir páginas da Internet completas.
A Pantech, que vende a maioria de seus telefones nos Estados Unidos com as marcas das operadoras, também anunciará brevemente seu primeiro smartphone com tela sensível ao toque. A Sony Ericsson planeja lançar um novo telefone Walkman, o W960i, com tela sensível ao toque e memória para 8 mil músicas. A finlandesa Nokia, cujo N95 é provavelmente o concorrente mais próximo do iPhone nos EUA, disse que também tem planos para um telefone com tela sensível ao toque chamado Aeon, que ainda não tem data de lançamento.
"Se o iPhone mudar as regras no mercado dos celulares, teremos de nos adaptar o mais rapidamente possível", diz Yi Seung-soo, designer de aparelhos da Pantech. "Podemos ter vantagem seguindo o mesmo caminho." Desenvolver com rapidez produtos similares, porém mais baratos e com mais recursos que os da Apple, é um método já usado pelos fabricantes sul-coreanos, segundo o designer. Essa estratégia não reduziu o domínio do iPod no mercado americano dos tocadores de música, mas os fabricantes asiáticos têm se saído um pouco melhor em seus mercados domésticos.
Por enquanto, a preocupação dos asiáticos é com o mercado dos celulares nos EUA, onde o iPhone começou a ser vendido na sexta-feira. A Apple não venderá seu novo telefone na Ásia antes de 2008. E também há dúvidas se o iPhone terá sucesso em mercados como o da Coréia do Sul, onde os consumidores costumam pagar por celulares pequenos, enxutos e cheios de funções. Até agora, aparelhos mais pesados, como os smartphones, não venderam bem no país. As informações são do O Estado de S. Paulo