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Shopping virtual sem licitação

23/05 - 14:18 - Agência Estado

Shopping virtual sem licitação Por Cinthia Toledo e Gustavo Miller São Paulo, 23 (AE) - Não adianta: comprar pela internet é assunto que nunca deixa de dar um certo bafafá. Apesar de ser cada vez mais comum entre os internautas, graças à praticidade, à rapidez e às boas ofertas, comprar com apenas um clique do mouse ainda causa dúvida e, em alguns casos, uma bela dor de cabeça.

"Não vão clonar o meu cartão de crédito? O produto vai chegar? E se der algum problema, o que eu faço?" Calma, leitor. Para responder a essas perguntas e mostrar que comprar pela web não é nenhum monstro, a reportagem entrevistou especialistas em segurança digital, advogados, membros de projetos que lutam por uma internet mais segura e pessoas que já se estreparam ou se deram muito bem no mundo do comércio eletrônico.

O administrador de empresas Paulo Rogério Aftimus, de 49 anos, compra há vários anos tudo o que se possa imaginar - online, lógico. CDs, DVDs, eletrônicos, perfumes, remédios, óculos de sol e até o seu cachorro, o pequeno Tigrão, foram adquiridos na rede. "Nunca tive problema e faço tudo pelo cartão de crédito", garante. Seria Paulo um tremendo sortudo? Não, ele sabe se orientar no comércio virtual. Só faz compras em sites famosos, que já conhece ou foram recomendados por amigos confiáveis. Quando acha uma boa oferta em uma loja da qual nunca tinha ouvido falar, trata de pesquisar sobre o endereço na web. Depois, pega o telefone para falar com o gerente e confirmar o endereço físico da loja.

São preocupações assim que evitam que se entre em uma enrascada na hora de comprar online. E, acredite, as chances não são pequenas. Segundo estatísticas do Movimento Internet Segura (www.internetsegura.org), há hoje, no País, cerca de 10 mil lojas virtuais. Tem muita coisa boa e bacana. Mas também há muitas empresas picaretas, prontas para aplicar um golpe no consumidor. Identificá-las é fácil. São pequenas e médias lojas que abrem do dia para a noite e oferecem produtos a preços imperdíveis (muitos deles contrabandeados). O internauta entra na página, vê a tentação virtual e conclui a compra na hora. No final, a loja acaba não entregando, fecha as portas e deixa um monte de iludidos para trás. E a culpa cai sobre toda a internet.

Recentemente, quadrilhas de contrabando virtual foram desmascaradas em Araçatuba, no interior paulista. Em apenas quatro anos, mais de 15 mil consumidores sofreram prejuízos de cerca de R$ 15 milhões.

SITES DENUNCIAM BANDIDOS Mas, se na internet há milhares de emboscadas, a rede também é o melhor lugar para identificar bandidos. Sites como o Reclame Aqui (www.reclameaqui.net) servem de espaço para o internauta deixar sua queixa e ver seu problema resolvido. O site põe no ar a reclamação do consumidor, entra em contato com a loja virtual e busca fazer o papel de mediador.

Se houve solução ou não, tudo fica registrado na página. "Temos 70 mil pessoas cadastradas e, no mês de abril, recebemos 7 mil reclamações. Só de lojas virtuais foram 927", diz José Maurício Vargas, um dos sócios do Reclame Aqui.

Vargas diz que, em breve, disponibilizará no site uma lista negra com as piores lojas virtuais brasileiras, justamente as que costumam dar golpes.Já a proposta do Movimento Internet Segura é ajudar a formar a cultura de segurança digital na internet, ao disponibilizar na web artigos e dicas que ensinam a comprar na rede. "O universo das compras online ainda é relativamente novo. Nosso foco é trabalhar para tentar reduzir o número de fraudes que ocorrem nesse tipo de comércio", diz o coordenador Igor Rocha.

Mas tem muita gente que pensa que, se algo der errado em uma compra online, não há a quem recorrer, o que é um equívoco. Afinal, as lojas virtuais também têm de seguir o Código de Defesa do Consumidor. Por isso, pode ficar tranqüilo. Há respaldo da lei também para as compras na rede. Em caso de haver uma surpresa desagradável, a primeira atitude deve ser entrar em contato com a loja e, se não adiantar, com o Procon. Se ainda assim não houver solução, o caminho é a Justiça. Para causas de até 20 salários mínimos, pode-se procurar o Juizado Especial de Pequenas Causas.

Boxe: SITES DE LEILÕES SÃO ‘CLASSIFICADOS VIRTUAIS’ A diferença entre as lojas virtuais e os sites de compra e venda (ou de leilão) se resume assim: estes últimos não vendem o produto, mas oferecem o seu espaço para que terceiros anunciem seus itens à venda por lá. A primeira dica para quem vai se aventurar em um site de leilão é em relação ao preço do item. Se estiver muito abaixo do que está sendo vendido no mercado e não for usado, fique de olho. Pode ser falso ou contrabandeado.

Verifique depois o histórico do vendedor e o que pessoas que já compraram dele comentaram. É pouco provável que alguém com 99% de aprovação seja pilantra. Isso não basta: a forma de pagamento é crucial. Se ambos forem da mesma cidade, combine de receber o produto em mãos, em um local público. Outra opção é optar por um intermediador. No Mercado Livre há o ‘Mercado Pago’, que ganha uma porcentagem no escambo. Nele, o pagamento é feito via transferência bancária, cheque ou cartão de crédito. Ao receber o pagamento, o sistema avisa o anunciante para enviar o produto. O dinheiro só cai na conta do vendedor se o comprador confirmar a entrega.





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