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Um mergulho na música digital

09/05 - 14:14 - Agência Estado

Um mergulho na música digital Por Alexandre Matias São Paulo, 09 (AE) - Para quem já está habituado a baixar MP3s e a descobrir novos artistas sem precisar da ajuda do rádio ou de revistas, um guia para se aprofundar na música digital parece básico e didático demais, feito apenas para novatos que começam a usar a inevitável rede.Será? Com tantas mudanças e novidades acontecendo sem parar, é possível que haja um site, um serviço, um programa que tenha passado despercebido até para os que já habitam as profundezas do enorme oceano que é a música digital.

Mas como ainda tem gente molhando os pés na praia, não vamos nivelar ninguém por baixo. As dicas abaixo servem para os diferentes níveis de imersão em que diferentes usuários se encontram. E, à moda não-linear da época em que vivemos, este guia não é um passo a passo. É possível praticar diferentes etapas sugeridas abaixo sem ter passado por outras. O único pré-requisito é conectar o computador à internet. A partir daí, é ao gosto do freguês.

Afinal, baixar MP3s em programas de compartilhamento de arquivo do tipo P2P (peer-to-peer) como Kazaa, Emule e Soulseek é só uma das possibilidades. Mas como a troca de músicas entre fãs ainda é vista como pirataria pela lei, procuramos opções que se mantenham dentro da legislação e não infrinjam direitos autorais dos intérpretes e compositores.

Para os iniciantes, mais do que sair baixando músicas aleatoriamente, é preciso, primeiro, se habituar com esse novo jeito de ouvir música. Baixar MP3s para ouvir em aparelhos portáteis é uma variante moderna de compilar uma fita cassete para ouvir no carro ou walkman, com a diferença de que a "fita", no caso, pode ter uma capacidade enorme e não há o desgaste de som que acontecia com os antigos cassetes toda vez que eram regravados. Além disso, você não precisa ouvir as músicas enquanto passa para o aparelho - é só arrastar os arquivos e pronto.

Lojas online e sites oficiais de artistas também são boas pedidas para quem está começando. Procure no Google por seu artista favorito - se ele estiver sintonizado à nossa época, terá um site em que é possível, ao menos, ouvir trechos de suas músicas. Muitos artistas estão pouco a pouco percebendo que a influência da rede não prejudica seu trabalho e disponibilizam até mesmo MP3s gratuitos em suas páginas pessoais.

Mas é sempre bom lembrar que a grande qualidade desse novo tempo é a possibilidade de descobrir artistas que, não fosse a internet, sequer seriam conhecidos em suas cidades. Por isso, ouça seus favoritos, mas abra seus ouvidos para o novo.

Para quem está começando, outra dica é organizar os MP3s. A maior parte dos programas que ripam CDs está conectada ao banco de dados CDDB, que cadastra todos os lançamentos em nível global. Mas quando o programa não reconhece o disco, ele copia as músicas com títulos como "Faixa 1" e "Artista Desconhecido". Isso pode parecer irrelevante no começo da experiência, mas é imprescindível na segunda fase, quando programas online podem indicar artistas novos e desconhecidos a partir do seu gosto musical.

Se você já passou dessa fase, resta ir ainda mais fundo. Além de podcasts e blogs de MP3s, que ajudam a identificar quem é quem nesse aparente caos da música digital, outros dois tipos de ferramenta facilitam ainda mais a vida do ouvinte.

Sites como o Last.fm e o Musicovery indicam artistas a partir de um primeiro nome escolhido por você. A inteligência dos programas online compara gostos de outros usuários e, a partir do cruzamento de dados, sugere nomes que você nunca tinha ouvido falar, mas que certamente batem com suas preferências. Como diria a Feiticeira, naquele comercial de TV, "não é magia, é tecnologia".

Para procurar blogs de MP3s que disponibilizam músicas gratuitamente, dois sites são fundamentais. O Hype Machine não apenas cataloga todos os blogs dessa natureza, como, a partir de seu banco de dados, indica bandas e músicas que estão fazendo mais sucesso nesses tipos de site, criando paradas de sucesso completamente alternativas. O Critical Metrics vai além e inclui publicações tradicionais (jornais, revistas e canais de TV) em seu ranking. Mas o mais importante é que tudo está à sua disposição. Nada mais é imposto, tudo depende da sua escolha. E se ouvir música já era um prazer, escolher a melhor forma de ouvir é um privilégio.




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