Novas formas de ouvir música Por Alexandre Matias e Gustavo Miller São Paulo, 09 (AE) - O MP3 matou o CD, as gravadoras estão em crise, quem baixa música da internet é pirata e vai demorar um tempo até nós, brasileiros, termos lojas de música digital à altura das que já existem nos países desenvolvidos. Parece que o caos se instalou no mundo da música, não é? Desde que o Napster, o primeiro programa de compartilhamento de arquivos pela internet, foi criado em 1999, as coisas mudaram tanto nesse mercado que a quantidade de desinformação que circula por aí não é pequena.
Vamos reescrever então o início deste texto. Não, o MP3 não matou o CD, as gravadoras começam a se adaptar, existe uma infinidade de música grátis e legal circulando na rede e já é possível comprar arquivos digitais sem ter de adquirir o disco inteiro, inclusive no Brasil.
O fato é que a internet mudou completamente nossa relação com a música. Se antes era só ouvir na rádio, ir até a loja ou ler na revista para ficar sabendo quais os principais lançamentos do mês, hoje a quantidade de fontes de informação cresce em velocidade exponencial. O mesmo acontece com as formas que bandas novas e artistas à margem do sistema das gravadoras multinacionais encontram para divulgar seu trabalho, por meio da rede mundial de computadores.
E - agora vem a boa notícia para você, leitor - multiplicam-se as opções para qualquer um ouvir música, seja pagando ou de graça, por meio da internet. A primeira sugestão vai para quem ainda não se sente à vontade para abrir mão do CD, mas fica com uma cara assim meio sem graça quando, em uma roda de amigos, alguém afirma, com toda a convicção, que CD é coisa do passado.
De fato, a música não precisa mais de um suporte para ser vendida e transportada. Mas isso não quer dizer que o Compact Disc morreu. Ele continua a ser uma forma de se ouvir música. Só que, pouco a pouco, deixa de ser a principal.
Mas não é motivo para comprar gigabytes e gigabytes de música em MP3. Que tal começar ouvindo música no seu PC, em "streaming" (sem baixar o arquivo), organizar playlists e ver o que acha da idéia? É o que faz o biólogo Luciano Steves, de 48 anos. "Para que possuir música se posso ouvir um monte de coisas online?", diz. Ele trabalha boa parte do dia no computador e, para se distrair, utiliza os serviços do Sonora e do Yahoo Music.
O Sonora também vende música, mas Luciano não sucumbe à tentação. "Não faço questão de ter uma coleção grande de músicas. Prefiro criar uma playlist que possa escutar de qualquer computador." É claro que ele precisará "possuir" música quando decidir comprar um toca-MP3. Só que Luciano ainda não chegou lá. Nem está com pressa.
GARIMPO MUSICAL O universitário Ronald Rios, de 18 anos, está na outra ponta da nossa aventura musical. Ele vive para cima e para baixo no Rio, onde mora, com seu aparelho portátil de MP3. Seu toca-MP3 é dos mais baratinhos, com pouco capacidade, mas Ronald conhece bem o caminho das pedras para achar música nova na web. Suas principais fontes de pesquisa são blogs de MP3 e o site musical Pandora (que não funciona mais no Brasil), onde descobre novos artistas que usam a internet para mostrar seus trabalhos.
Quando encontra algo diferente, Rios recomenda em seu blog, o www.rockdeindio.com. Um exemplo recente foi o Coconut Records, projeto-solo do ex-baterista do Phantom Planet, Jason Schwartzman.O blogueiro descobriu o som por indicação do baixista do Weezer, gostou e incluiu em seu blog o link para o Coconut na comunidade virtual MySpace (especializada em música).
Os blogs de MP3 podem ser divididos em dois grupos. O primeiro reúne links para CDs inteiros transferidos para MP3 e disponibilizados online. Em geral, violam direitos autorais. O segundo grupo é recente. Descobre artistas que disponibilizam MP3 de graça na internet, mas que estão soltos à procura de ouvintes. São fios da meada na rede global. "Ninguém conhecia no Brasil e um monte de leitores curtiu a minha sugestão. Alguém até criou uma comunidade no Orkut para o Coconut graças à indicação", diz.
Já a universitária Juliana Leuenroth, de 22 anos, busca na rede material raro de artistas que ela já curte, de performances ao vivo a covers bizarras. "Travis cantando Britney Spears é impagável", ri. Também existem na web diversos sites que identificam o gosto musical do internauta, a partir daquilo que ele já conhece, e o apresentam a bandas e artistas que tenham a ver com seu gosto musical. Fica fácil ampliar seus conhecimentos musicais assim, não?