A Telefónica enviou à bolsa de valores espanhola comunicado para detalhar a operação de compra da Telecom Italia, anunciada em 28 de abril. Pela nota, a espanhola confirma que seus sócios italianos - os bancos Intesa SanPaolo, Mediobanca, a seguradora Generali e a Sintonia, da família Benetton - têm preferência na aquisição das ações da Telco (veículo por meio do qual o grupo comprou a Olimpia).
Os parceiros da operadora também podem, antes da Telefónica, propor a entrada de novos investidores no capital da Telco, "sempre italianos", para o qual está prevista a aprovação da companhia ibérica.
Nas votações da Telco, vale o princípio da proporcionalidade. Porém, quando as decisões forem especialmente relevantes, como modificações da estrutura acionária (cisões, fusões e aumentos de capital), há que se ter uma maioria qualificada. Para isso, é necessário contar com o voto favorável da Telefónica, ao contrário do que informou a agência Dow Jones, em nota divulgada às 11h52 de ontem pela Agência Estado.
No caso de não se alcançar a maioria qualificada, completa a nota, se produzirá uma situação de bloqueio, em que passa a valer a aprovação por maioria simples, "sem prejuízo do direito dos acionistas dissidentes de deixar o capital da Telco mediante a venda da parte proporcional de ativos e passivos".
Também será preciso maioria qualificada para decisões sobre distribuição de dividendos da Telco, "mas não em relação à política de dividendos do grupo Telecom Italia". Do mesmo modo, quando não se alcançar maioria qualificada, haverá uma situação de bloqueio. Se a Telecom Italia optar por fazer desinvestimentos no exterior em um montante superior a 4 bilhões de euros ou decidir firmar alianças estratégicas significativas com outras empresas do ramo de telecomunicações, a Telefónica terá novamente o direito de abandonar o capital da Telco no caso de discordar da operação. Isso poderá ser feito mediante a venda da parte proporcional de ativos e passivos. O comunicado reitera que o preço pago pela aquisição de 100% da Olimpia, 4,1 bilhões de euros, é provisório, já que a posição financeira líquida da holding deverá ser estabelecida na data de encerramento da transação, ou seja, após a aprovação das autoridades competentes.
Os porcentuais de participação no capital da Telco ficaram assim: Generali (28,1%), Intesa (10,6%), Mediobanca (10,6%), Sintonia (8,4%) e Telefónica (42,3%).