Confira test drive com seis navegadores Por Gustavo Miller São Paulo, 02 (AE) - A melhor maneira de saber se vale a pena ou não comprar um GPS automotivo é testando-o. Como isso não é possível para a maioria dos consumidores, a reportagem resolveu dar uma ajudinha, testando seis navegadores à venda no Brasil.
Cada um foi analisado individualmente. Por quê? Ora, tente ficar com seis GPS dentro do carro. Todos falam ao mesmo tempo. É insuportável! O trajeto que cada um teve de fazer foi o mesmo: sair da sede do Grupo Estado (Avenida Engenheiro Caetano Alvares, nº 55, bairro do Limão, zona norte de São Paulo) e ir até a Rua José Maria Lisboa, 901, nos Jardins, zona sul da capital.
O porquê desse caminho é simples: há várias maneiras de fazê-lo, o que foi comprovado no test drive. Além do mais, ele permite pegar túneis, grandes avenidas, ruelas, lugares com muitos prédios e ruas que, vira-e-mexe, mudam de mão.
O teste foi realizado em um sábado à tarde, dia em que São Paulo não tem muito trânsito. Foram quase seis horas de teste. Donizete Márcio, motorista do jornal, foi o piloto.Ele foi o primeiro competidor. Deu uma olhada no guia que fica embaixo de seu banco e partiu firme. Seu caminho foi feito em 15 minutos. Ao escolher grandes avenidas, como Pacaembu, Dr. Arnaldo e Avenida Paulista, fez o trajeto em oito quilômetros e sete ruas.
Depois veio o Airis, que resolveu pegar a Marginal do Tietê e cortar pela Avenida do Estado, seguindo depois pela Nove de Julho. A distância foi a mesma: oito quilômetros. Mas levou 20 minutos e errou o local! O Delphi quase copiou o caminho do Airis, mas preferiu recortar por algumas ruas de Higienópolis e do Bexiga, bairros próximos à região central. Tremendo caminho de rato. Um destaque: apesar da baita chuva, o sinal não oscilou: 11 ruas, 12 quilômetros e 25 minutos.
Os outros quatro adversários - A 600, Quatro Rodas, T-Levo e Car Trip 100 - usam o mesmo software e foram quase que pelo mesmo trajeto (Bexiga e centro), mesmo alternando-se entre o caminho mais curto e o mais rápido. A média deles foi um "circuito" entre nove e dez quilômetros, mais de 20 ruas e nenhum fez tempo abaixo de 20 minutos. Resumo: pegaram muitas ruas com faróis.
Fazendo uma geléia geral do que rolou, percebeu-se o seguinte: os mapas estão desatualizados, principalmente o da Airis. Todos os fabricantes testados prometem pacotes de atualização até o final deste semestre. Eles serão gratuitos e trarão mais cidades e estradas mapeadas e pontos de interesse. Então fique de olho no site deles.
Os testes foram feitos sem olharmos para os aparelhos, seguindo apenas os comandos de voz. Elgin e Quatro Rodas foram os mais precisos no quesito sincronia mapa e voz. No final das contas, o GPS é uma boa opção para quem precisa ir, com freqüência, a endereços que não faz a menor idéia de onde ficam. Ele sempre chega ao destino final, mas pega ruas desnecessárias e os caminhos não são os mais adequados, como mostrou o motorista do Grupo Estado, o pole position do dia. AIRIS TEM NAVEGAÇÃO COMPLICADA Visualmente não tem jeito: o T920 é imbatível. Com um design metálico bem "clean" (ele só tem um botão liga/desliga) todos os comandos são feitos na tela sensível ao toque do aparelho. O seu software, Route 66, é difícil de manusear e pouco intuitivo. Ele não pede cada informação separadamente, mas tudo junto: endereço, cidade, número... talvez essa navegação complicada seja o motivo pelo seu erro grotesco: foi o único a ultrapassar o destino final em 300 metros. A narração é ótima e bem explicadinha. E ele conta com tocador de MP3. NARRADORA DE DELPHI É PRECIOSISTA "Agora vire ligeiramente à direita". Quando a narradora do Nav200 soltou essa pérola, uma explosão de risos tomou conta do carro. "Quem fala assim?", riu Márcio. Esse GPS ganha no detalhismo. Além de exibir um mapa decente, ele dá até a altitude em que se está. Porém, a navegação não é tão intuitiva. As letras e os comandos são pequenos, o que exige o uso de sua canetinha especial. A recepção do sinal GPS foi ótima nos testes.Ele é o único que não tem entrada USB, o que dificulta um pouco seu uso como tocador de MP3. MOBIMAX SE PERDEU E NÃO CORRIGIU O ERRO As primeiras impressões do A600 foram as piores possíveis. Apesar de ter achado o sinal GPS em apenas dois minutos, em uma curva ele deu uma batidinha no painel e desligou. Voltou normalmente, mas daí apagou de novo, demonstrando fragilidade - explicitada na antena. Depois ele chamou uma rotatória de "círculo", confundindo o motorista, que errou o caminho. Ainda por cima não corrigiu o erro, e o GPS ficou perdidaço. Quase virou o jogo graças à navegação simples e intuitiva. E fazendo também o melhor caminho de todos. QUATRO RODAS É BOM, MAS "FALA" DEVAGAR Antes de ser posto na prova de fogo, o Quatro Rodas se mostrou o melhor dos GPS analisados. Ele é fácil de mexer, tem várias funções e logo se destaca pelo conteúdo caprichado: nada menos que 14 mil pontos de interesse.Foi o mais rápido para achar o sinal GPS, menos de um minuto. Um lado chato é que é preciso voltar ao menu para escolher a opção de caminho rápido ou curto. Parece bobagem, mas faz uma baita diferença no trânsito.Só que ele fala muito devagar: "Vire à direita... 200 metros", e atrapalha demais quem está dirigindo. SINAL DO T-LEVO CAIU NA PAULISTA Passar pela Avenida Paulista deveria ser um ótimo teste para analisar o sinal GPS dos aparelhos. Dos seis, o T-Levo foi o único que perdeu o sinal, apanhando para voltar. Também perdeu o sinal ao passar debaixo do viaduto Minhocão, na região centra da cidade, atrapalhando-se um pouco para definir qual caminho seguir. Mas, fora esse lado negativo, teve um bom desempenho no teste. Navegar por ele é bem fácil. E a tela ainda escurece um pouco quando ociosa, algo ótimo para se adequar às leis de trânsito.
De todos os aparelhos, é o mais barulhento. BATERIA DO CAR TRIP 100 DECEPCIONA São dois os motivos que levaram o GPS da Stetsom a ganhar um farol vermelho em sua avaliação final. Primeiro, a bateria. Apesar de deixá-la carregando por cerca de seis horas, o aparelho estava sempre com a bateria fraca. Isso impossibilitou que fosse testado no sábado, obrigando a repetição dois dias depois. Teoricamente carregado, o aparelho só funcionou ligado no acendedor de cigarros. O fabricante apontou falha no aparelho, que era de demonstração. Outro erro chato foi o sinal GPS. Muito lento, demorou cerca de 10 segundos para funcionar depois de sair do túnel Nove de Julho, na região central. Boxe: FICHAS TÉCNICAS T 920 - AIRIS WEB | www.airis.com.br DETALHES | Entradas USB e para cartão de memória. Custa R$ 1.880.
NAV 200 DELPHI WEB | www.delphi.com.br DETALHES | Traz CD de backup e cartão de memória de 512 MB. Custa R$ 1.900.
A 600 MOBIMAX WEB | www.mobimax.com.br/a600 DETALHES | Único com calculadora. Custa R$ 1.890.
QUATRO RODAS DIGIWALKER WEB | www.navegadorguia4rodas.com.br DETALHES | Reproduz vídeos e músicas. Custa R$ 1.900 T-LEVO ELGIN WEB | www.t-levo.com.br DETALHES | Reproduz fotos, vídeos e músicas. Custa R$ 1.990.
CAR TRIP 100 STETSOM WEB | www.stetsom.com.br DETALHES | É o único com função e-book, podendo ler arquivos TXT. Custa R$ 1.990.