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Empresa americana sabota a troca de arquivos na internet

16/04 - 09:16, atualizada às 09:53 16/04 - Agência Estado

Você talvez não saiba, mas a indústria do entretenimento usa uma tática radical para tentar evitar o download de músicas e vídeos: contrata empresas especializadas em sabotar as redes de troca de arquivos ("peer to peer", ou P2P), que hoje são a opção mais usada por quem baixa arquivos da internet.

Nesta reportagem, a empresa americana MediaDefender (www. mediadefender.com), que é a maior "sabotadora" das redes de compartilhamento como eMule e BitTorrent, revela com exclusividade as técnicas que adota para atrapalhar o download de músicas e vídeos nas redes "peer to peer". Quando encontro seu vice-presidente, Jonathan Lee, o site da MediaDefender está fora do ar - provavelmente devido ao ataque de usuários revoltados com a ação da empresa, que age a mando de gravadoras e estúdios de Hollywood. Mas ele não está preocupado: "A coisa é meio feia mesmo", diz. Desde 2005, a MediaDefender faz mais do que sabotar as redes P2P: também coloca, a pedido das próprias gravadoras, músicas nas redes de troca de arquivos - títulos que a indústria quer promover de maneira "viral". Mas seu feijão-com-arroz continua sendo atrapalhar o download de músicas e vídeos. A MediaDefender é boa nisso - ou, pelo menos, deveria ser, pois desenvolve suas técnicas desde 2002. As gravadoras pagam de US$ 5 mil a US$ 15 mil pela "proteção" de cada música, filme ou álbum. Mas, reconhecendo que é impossível bloquear as redes P2P, a MediaDefender se contenta em desacelerar a propagação dos arquivos - um processo temporário, que dura pouco tempo.

Isso porque, segundo Lee, a maioria dos filmes e CDs de música tem pico de vendas nos primeiros meses após o lançamento. A MediaDefender se propõe a dificultar a propagação de cópias por um ou dois meses, para que a versão "legalizada" das obras tenha tempo e espaço para lucrar no mercado. Artilharia pesada Para interferir nas várias redes de compartilhamento, a MediaDefender lança quatro tipos de ataque contra o P2P (veja quadro ao lado). Eles são lançados a partir de uma rede própria, com 2 mil servidores espalhados pelo planeta, conectados à internet com velocidade de 9 gigabits por segundo - 1.200 vezes mais potente que a melhor banda larga disponível para uso doméstico no Brasil.

Como a MediaDefender tem apenas 60 funcionários, essa velocidade de conexão à internet é, usando um eufemismo, "um pouco alta". Mas ajuda a atrair a atenção das gravadoras e a fechar negócio com elas. Também garante que os funcionários da MediaDefender tenham uma ótima conexão, quando ficam no trabalho depois do expediente, para jogar games online.

A primeira tática é inundar as redes de compartilhamento com arquivos falsos. Tudo é projetado para parecer autêntico, ou seja, a MediaDefender usa os mesmos tamanhos e nomes de arquivo adotados pelos "piratas". Com a sua conexão de altíssima potência, a empresa consegue facilmente espalhar esses arquivos pelas redes P2P. Como a maioria das pessoas, ao procurar um arquivo para baixar, só olha os cinco primeiros resultados, a MediaDefender também embaralha os sistemas de busca. A idéia é frustrar o internauta, e levá-lo a desistir do download. Essas duas técnicas tentam impedir que as pessoas encontrem os arquivos. Mas e se você achar? A empresa inventou táticas ainda mais agressivas, para interferir com os downloads em si. As informações são de O Estado de S. Paulo.




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