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Entrevista:situação da Vivo continua frágil, diz controlador da Sonae

30/03 - 10:57 - Agência Estado

O controlador do grupo português Sonae, Belmiro de Azevedo, atribui ao governo de seu país a rejeição da proposta de compra de 11,8 bilhões que apresentou pela Portugal Telecom. Segundo ele, apesar de o governo ter adotado um discurso de neutralidade, na prática votou contra a oferta por meio do banco estatal Caixa Geral de Depósitos, acionista da Portugal Telecom.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, feita por correio eletrônico, o empresário negou que houvesse qualquer acordo sobre o futuro da Vivo entre a Sonaecom e a Telefónica. A Sonaecom é o braço de telecomunicações do grupo português. A espanhola Telefónica detém 50% da Vivo, em sociedade com a Portugal Telecom.

"Continuamos vendo fragilidade da operação da Vivo", afirma Azevedo. Logo que fez a oferta pela Portugal Telecom, disse que venderia a Vivo, a maior operadora de celular do País. Posteriormente, afirmou ao Estado que poderia comprar a parte da Telefónica. Ontem, a Vivo não quis comentar as declarações. Neste mês, Belmiro passou a ocupar a presidência do conselho de administração e anunciou o filho Paulo Azevedo como seu sucessor na liderança do Grupo. No Brasil, o Sonae atua nas áreas imobiliária e na indústria de aglomerados de madeira.

A seguir, os principais trechos da entrevista: <b>Estado - </b>Quais são os planos de expansão da Sonaecom, diante da rejeição da proposta? <b>Azevedo - </b>Apesar de, em Portugal, estarmos ainda longe de um ambiente de sã concorrência, no setor das telecomunicações fixas, acreditamos que a Sonaecom tem um largo espaço para crescimento orgânico. Na área da telefonia móvel, onde estamos presentes como terceiro operador, continuaremos apostando no desenho de produtos com criatividade e inovação e liderando a antecipação das preferências e necessidades dos consumidores portugueses. Mas estamos atentos a todas as oportunidades de aquisições que possam surgir e que se enquadrem na nossa estratégia.

<b>Estado - </b>Na sua opinião, por que a proposta de compra feita pela Sonaecom não teve êxito? <b>Azevedo - </b>Objetivamente, a nossa oferta foi bloqueada na Assembléia Geral da Portugal Telecom, em 2 de março deste ano, por um grupo de acionistas minoritários que incluía a Caixa Geral de Depósitos, o banco público português. Embora as instituições públicas que controlam as participações detidas diretamente pelo Estado português se tenham abstido e o governo reivindique uma posição de neutralidade, este desfecho foi naturalmente decepcionante para o funcionamento da democracia acionista e para o mercado de capitais português, tendo ainda vedado aos acionistas da Portugal Telecom e da Sonaecom uma significativa criação de valor.

<b>Estado - </b>Qual foi o papel da Telefónica e da Telmex no resultado da negociação? <b>Azevedo - </b>A Telefónica votou a favor da desblindagem dos estatutos da Portugal Telecom, enquanto que a Telmex votou ao lado dos acionistas minoritários.

<b>Estado - </b>Havia algum acordo entre a Sonaecom e a Telefónica sobre o destino da Vivo? <b>Azevedo - </b>Não se estabeleceu qualquer acordo entre a Telefónica e a Sonaecom sobre o destino da Vivo.

<b>Estado - </b>Por que a Telmex se interessou pela Portugal Telecom durante o processo? <b>Azevedo - </b>É uma pergunta que tem de ser feita à Telmex. Só ela pode explicar a sua opção de investimento e sentido do seu voto na Assembléia Geral da Portugal Telecom.

<b>Estado - </b>Qual foi a posição do governo português em relação à proposta da Sonaecom? <b>Azevedo - </b>O governo português sempre afirmou a sua neutralidade relativamente à oferta. No entanto, não parece insatisfeito com o resultado final da operação. Ora, tendo em conta a diferença entre os projetos que estavam em cima da mesa e a composição da minoria de bloqueio, é legítimo admitir que, na prática, preferia a situação atual ao projeto da Sonaecom.

<b>Estado - </b>Qual será o rumo da Portugal Telecom a partir de agora? E da Vivo? <b>Azevedo - </b>Em relação à estratégia da Portugal Telecom, deverá ser a sua administração e os seus acionistas que vão decidir o futuro. A nossa opinião é a de que a nova estrutura de controle não apresenta a solidez necessária para que a empresa enfrente os desafios que tem pela frente. Em relação à Vivo, a nossa visão não se alterou: continuamos vendo fragilidade na operação, não esperamos grande evolução na possibilidade de sinergias de relevo para a Portugal Telecom com a atual estrutura de acionistas.

<b>Estado - </b>O que o sr. pretende fazer com os recursos que seriam usados para a compra da Portugal Telecom? <b>Azevedo - </b>Existem recursos sempre que há bons projetos e boas equipes de gestão. Nesse aspecto, o apoio que temos tido de mercado de capitais e dos bancos nos permitem uma expansão agressiva em todas as nossas áreas de negócio. No Brasil os nossos maiores projetos são na área imobiliária, mas também analisamos investimentos em sistemas de informação. Por outro lado, a Sonae Indústria atravessa uma fase de crescimento rápido no Brasil que, a continuar, poderá naturalmente ter conseqüências importantes nos nossos planos de investimento.




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