Foi-se o tempo em que notebook era coisa rara de se ver nas mãos de brasileiros. Cada vez mais gente prefere investir em um computador que pode ser levado para qualquer lugar a empatar seu dinheiro em um PC preso à mesa de casa ou do escritório.
Segundo a empresa de pesquisas IDC, as vendas de laptops subiram 96% em 2006 no País. Graças à queda de preço. Com R$ 2.000 já dá para comprar um PC portátil basicão - aproximadamente a metade do que custava há dois anos.
Mas, na hora de tomar a decisão, muita gente fica na dúvida: será que o laptop vai dar conta do recado como um desktop? Terá fôlego suficiente para rodar todos os softwares que você deseja? Graças à evolução da tecnologia, a resposta é sim.
Atualmente, os notebooks mais simples têm processador de 1,5 GHz e 256 megabytes de memória RAM, o que dá para rodar o Windows XP e fazer as coisas mais comuns, como navegar na internet sem a necessidade de fios, trocar e-mails, ouvir música, guardar e fazer retoques simples nas suas fotos digitais, produzir documentos do tipo Office e telefonar via rede (com o Skype, por exemplo).
É isso que você quer fazer? Pode migrar tranqüilo para o mundo dos notebooks.
Em outubro, a relações públicas Sandra Assumpção trocou seu PC de mesa por um laptop. "Foi excelente. Prestava serviços em três lugares e precisava ficar salvando os arquivos para levar e trazer. O notebook me deu uma mobilidade muito maior. Eu o carrego para todos os lados", conta.
Mas fique ligado em alguns detalhes. Para quem costuma usar mais de três softwares ao mesmo tempo, o ideal é ter um laptop com pelo menos 512 megabytes de memória RAM.
Além disso, as máquinas mais baratas geralmente vêm com o sistema operacional Linux. Nada contra o software livre. O problema é que os fabricantes com freqüência adotam versões ruins do Linux, que tendem a apresentar dificuldades de configuração, uso e instalação de periféricos. Muita gente resolve isso instalando uma cópia pirata do Windows, o que não é recomendável.
A melhor saída é trocar o Linux "de fábrica" pelo Ubuntu (www.ubuntu.com), que também é livre, pode ser baixado de graça e é bem mais evoluído.
Para quem carrega o notebook para todo lado e em longas viagens, tamanho e peso são fundamentais. Após uma hora pendurado no ombro, ele vai parecer um chumbo. Gastando um pouco mais - cerca de R$ 3.000 - compra-se um laptop ultraleve, com cerca de 2 kg.
A tela é um pouco menor, cerca de 13 polegadas, mas é suficiente para rodar o Windows numa boa. E a portabilidade compensa: o grande barato do laptop é ter o seu "mundo digital" sempre à mão.
O estudante Renato Melo Ykeuti Alves, de 19 anos, fez a troca ao deixar Sorocaba para fazer faculdade em São Paulo. "Ponho na mochila e pronto", conta.
Os notebooks basicões, entre R$ 2.000 a R$ 3.000, são ótimos, mas tem gente que precisa de uma máquina mais possante. É o caso do diretor de cinema e televisão, Kiko Ribeiro.
Ele mexe com edição de vídeos, atividade que exige bastante do computador, e pagou R$ 6.000 por um laptop turbinado. "Agora eu posso fazer pequenas edições nos vídeos já durante a gravação", diz.
Os laptops intermediários começam em R$ 4.000. Têm tela de 15 polegadas e componentes melhores - processador do tipo dual core (é como se fossem dois chips em um), mais memória e disco rígido maior, de até 80 gigabytes (GB).
Mesmo assim, um calcanhar-de-aquiles persiste: a capacidade de armazenamento de dados. Hoje em dia, qualquer PC de mesa oferece no mínimo 80 GB de espaço no disco rígido (HD). O notebook geralmente fica entre 40 e 60 GB. Só os melhores modelos chegam a 80 GB.
Mas pode-se remediar isso gravando os arquivos em DVD ou, melhor, comprando um HD externo. Custa por volta de R$ 500 e basta conectá-lo ao notebook com um cabo USB.
Outra boa pedida é comprar um mouse, pois ele é muito mais confortável de usar do que o "trackpad" - aquela plaquinha na qual você desliza o seu dedo para mover o cursor. O mouse também deve ser do tipo USB.
É tudo USB, percebeu? Isso cria um entrave. Os laptops mais pé-de-boi vêm com apenas duas entradas do tipo. Se conectar o mouse e o HD externo, não sobra mais nenhuma porta (para ligar a câmera fotográfica ou a impressora, por exemplo).
Felizmente, solucionar isso é bico: basta adquirir um Hub USB, que multiplica o número de entradas do notebook. Como o mouse, ele é bem barato - custa menos de R$ 40.
E o recém-lançado sistema Windows Vista? Vale a pena tê-lo no notebook? Como o Link mostrou em janeiro, não muito: tudo o que você faz no Vista pode fazer no Windows XP. O Vista tem uma interface mais bonita, mas, para rodá-la, é necessário que o notebook tenha 1 gigabyte de memória RAM e placa de vídeo mais rápida (tem que ser uma nVidia, ATI ou Intel 945). Por isso, a maioria dos notebooks ainda vem com Windows XP.
E os modelos supertopo de linha, que chegam a custar R$ 10 mil? O que têm de diferente? Telas gigantes, de até 17 polegadas, bastante memória, disco rígido grandão e placa de vídeo turbinada, supostamente capaz de rodar games 3D (tradicionalmente, a grande fraqueza dos notebooks). <i>As informações são do O Estado de S. Paulo/Link</i>