28/02 - 12:09, atualizada às 20:18 01/03 - Bruno Versolato, repórter iG em São Paulo
SÃO PAULO - SÃO PAULO - Após dois dias de conferência sobre a Web 2.0, realizada em São Paulo, algumas certezas sobre esta nova fase da internet tomaram forma: a evolução da internet vai ajudar a forjar uma nova democracia digital baseada no poder nas mãos do usuário e vai criar uma nova cultura de negócios baseados na interação. “É radicalização do poder nas mãos do usuário”, definiu Caio Túlio Costa, CEO do iG.
Segundo Paulo Henrique, “a máxima concentração de portais e provedores de acesso vai conviver com a máxima dispersão do acesso. E isso vai dar dinheiro”.
No encerramento, nesta quinta-feira, foi realizado um painel sobre o papel dos portais na Internet. Entre os participantes, o presidente do iG, Caio Túlio Costa, e representantes do Google, Terra, Yahoo! e do grupo M&M.
Para Caio Túlio, o evento mostrou como está hoje, no Brasil, a internet e quanto ela é "revolucionária". "Deu também uma idéia de quanto ainda somos 'incompetentes' e de quanto o mercado não nos entende", disse, referindo-se à pequena participação - apenas 1,9% - da Internet nas verbas publicitárias.
Negócios 2.0
A conferência abordou também a nova fase da web do ponto de vista dos negócios. “As conferências se apoiaram no tripé comunicação/marketing, negócios e tecnologia”, explica Claudiney Santos, diretor da TI Inside.
Segundo ele, além de toda a interação com usuário, a Web 2.0 proporciona ainda um ambiente propício para o desenvolvimento de negócios. De acordo com Santos, todos aprenderam com a primeira fase da web. Agora é a oportunidade de desenvolver os negócios.
O evento ainda abordou o mercado brasileiro de internet em números, as tendência e perspectivas da Web 2.0, as primeiras soluções das empresas brasileiras na nova fase da internet, a publicidade on line e a Web 2.0 em dispositivos móveis.
De acordo com dados apresentados na conferência por Marcello Povoa, o Brasil tem 14,4 milhões de usuários de banda larga, dos quais 8,7 milhões visitam sites de comércio, como lojas virtuais, por exemplo. O que, segundo ele, é um bom motivo para investir na web.
Ele também lembrou a onda de digitalização de conteúdos como rádios e TV. “A web funciona como uma forma de transformar todas essas mídias em uma linguagem só, e tudo roda em paralelo com serviços, redes sociais e aplicativos”, afirmou.
Outra revolução nos negócios será causada pela Web 2.0 em dispositivos móveis. “Temos hoje no Brasil mais de 100 milhões de celulares”, diz Santos lembrando as iniciativas de gigantes como o You Tube e o Google Maps em mídia móvel.
Web 2.0
O termo Web 2.0 foi cunhado em 2004 por Dale Dougherty, diretor da O'Reilly e estudioso da internet, para designar a segunda geração da rede mundial de computadores. A nova fase reforçaria os conceitos de troca de informação e colaboração dos internautas com os sites ou serviços na internet. Um exemplo da Web 2.0 é a Wikipédia, enciclopédia editada pelos próprios usuários.
O termo tomou forma quando a revista ‘Time’ escolheu ‘você’, o internauta como personalidade do ano “por tirar o poder das mãos de poucos e trabalhar de graça e superar os profissionais no jogo dele”, justificou a revista que colocou um espelho no lugar da foto de capa.
Os críticos afirmam que o termo Web 2.0 é puramente mercadológico e que a interatividade era um movimento natural e não uma “segunda geração”. Seja como for, o número de sites que exploram o conteúdo produzido pelo internauta vem crescendo a cada dia. Uma prova disso é o YouTube. Um site em que os próprios usuários fazem seu conteúdo. Criado por dois amigos, com 67 funcionários e sem lucro foi vendido para o Google por US$ 1,65 bilhão.
“Web 2.0 é uma série de aplicações que propiciam e potencializam a formação de redes sociais digitais. Redes sociais são coletivos de pessoas e agentes que interagem direta ou indiretamente entre si e constroem certos padrões recorrentes de relacionamento e comportamento”, disse Abel Reis VP de Tecnologia da Agência Click. “Logo, a Web 2.0 não é uma série de sacadas geniais de tecnologia, ela nasce de um contexto particular com aspectos técnicos, econômicos e comportamentais”.
Sucesso
O evento é considerado pelos organizadores um sucesso. “A idéia veio de uma conversa com Claudiney Santos [diretor da TI Inside]”, conta Rubens Glasberg, diretor da Converge Comunicações e organizador do evento. “Reservamos um hotel e lançamos a conferência em dezembro. Em janeiro já tivemos de procurar um outro local. Mais de uma semana antes do evento todas as vagas estavam reservadas”.
Segundo ele, a grande virtude do evento foi abordar o tema por todas as óticas, desde a jurídica a comportamental, juntando pessoal de negócios, tecnologia, criação, marketing e de empresas de telefonia móvel para discutir os impactos da revolução da Web 2.0.Entre as empresas que mandaram representantes ao evento estão as agências de publicidade Talent e Ogilvy, os bancos Bradesco e Itaú, Coca-cola, Endemol, Furnas, Correios, Globo, Fox e Editora Abril.
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