15/02 - 22:00 - Carta Capital
“Não entendo por que as pessoas pagam seis reais para ter um toque telefônico com 30 segundos de “pri-pri-pri” musical e acham caro um CD de 20 reais, com 14 faixas completas e qualidade superior”, diz João Marcello Bôscoli, músico e presidente da gravadora Trama.
Na seqüência, arrisca um palpite: “Comprar um ou dois ringtones por mês parece não pesar na conta do celular e isso reflete no hábito de consumo”. Uma coisa é certa: as valsas e marchinhas no celular estão com os dias contados. Os brasileiros terão de se acostumar com o barulho onipresente dos tons musicais, a martelar hits de Bruno e Marrone, Mc Sapão, Papas na Língua e outros grupos que estão nas paradas de sucesso dos sites especializados.
O fôlego do mercado é grande. As vendas de música digital duplicaram em 2006. Estimativas da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI) indicam que o comércio on-line e por telefonia móvel garantiu uma receita de 2 bilhões de dólares para o setor no último ano. Apesar do valor representar apenas 10% do faturamento global, o vertiginoso crescimento trouxe alento para as gravadoras, hoje combalidas pela pirataria e pela estagnação no consumo de CDs e DVDs.
Dentro desse universo, têm status de vedetes os ringtones e truetones. Para quem ainda não sabe o que é um e o que é o outro, um breve parênteses: o ringtone é o toque de celular que simula uma canção já existente. O truetone, por sua vez, é um trecho da música real, com a voz dos artistas. Pois são esses toques, que ouvimos em todo canto e a toda hora, os responsáveis por quase a metade de todo o ganho obtido com as mídias digitais.
“A indústria está em processo de mutação. A música não deixou de existir ou de fazer dinheiro, mas o modelo de negócios das gravadoras está se transformando, até em função das mudanças no padrão de consumo”, explica Márcia Elena Almeida, gerente comercial da Universal Music Mobile Brasil. “Existe uma geração de jovens que nunca entrou em uma loja de música para comprar um CD. Eles consomem música pela internet ou pelo celular. Não acredito que os downloads irão substituir os produtos físicos, mas seguramente esse mercado tem importância e integra a estratégia de marketing das gravadoras, até para alavancar as vendas dos demais produtos”.
Confira a íntegra da reportagem na edição impressa de Carta Capital que chega às bancas nesta sexta-feira.
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