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Futuro dos teclados pode passar pelo PAC

25/01 - 20:35 - Carta Capital

Há cerca de um ano Gabriela, então com 8 de idade, ganhou o primeiro computador. Para pegar carona no equipamento, o primo e vizinho Cléber, de 15 anos, passou a freqüentar com mais assiduidade a casa da tia. No domingo 21, depois de muito esperar, o jovem também ganhou um PC. Mesmo assim, os dois continuam impedidos de utilizar os micros ao mesmo tempo. É que eles se revezam no uso de um único adaptador elétrico para ligar as máquinas à tomada. A peça custa menos de 30 reais, mas ainda não foi comprada, porque as prestações dos computadores, em torno de 100 reais, espremem até o limite os orçamentos das famílias, ambas moradoras da favela paulistana de Heliópolis, na zona sul da capital.

“Não dá para ter tudo de uma vez”, justifica a mãe de Gabriela, Maria Aparecida Carvalho. Auxiliar de limpeza em uma escola municipal, ela é a única com carteira assinada numa casa onde moram oito pessoas. Apesar da situação difícil, ela acredita que o computador vai aumentar as chances da filha no mercado de trabalho. “Qualquer serviço hoje em dia pede conhecimento em informática”, diz. Já Cléber espera que o micro o ajude a realizar o sonho de ser cineasta. “Vou aprender a usar os softwares de vídeo”, planeja.

A fé de famílias como as de Gabi e Cléber num futuro melhor explica, em boa parte, o salto de 47% nas vendas de PCs ocorrido em 2006. Ao todo, foram vendidos 8,3 milhões de computadores, segundo o instituto IT Data e a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). Outro estudo, feito pela Research International a pedido da fabricante de chips Intel, mostra que a educação é a principal motivação para a entrada desses equipamentos nos lares brasileiros.

O desenvolvimento do mercado também é resultado de políticas de incentivos fiscais para a indústria, que forçam os preços para baixo e atraem cada vez mais empresas, nacionais e estrangeiras, para o setor. O real valorizado é outro item importante na fórmula do crescimento. O processo começou com a edição da MP do Bem, em 15 de junho de 2005, e deverá ser ampliado pelo Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), anunciado pelo governo na segunda-feira 22.

  • Confira a íntegra da reportagem na edição impressa de CartaCapital, que chega nesta sexta-feira às bancas




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