08/01 - 19:15, atualizada às 21:56 08/01 - Redação com agências
SÃO PAULO - Para impedir o acesso ao polêmico vídeo do YouTube que mostra cenas de sexo da modelo e apresentadora Daniela Cicarelli com o namorado numa praia espanhola, o Tribunal de Justiça de São Paulo manteve a decisão de que as empresas com links internacionais para o resto da internet fora do País bloqueassem o acesso ao domínio youtube.com.
A Brasil Telecom e Telefônica - duas das empresas que dispõem dos cabos submarinos para esta conexão - suspenderam o acesso ao endereço, afetando provedores que utilizem seus links no sábado e segunda-feira, respectivamente.
A Telefônica informou, por meio da assessoria de imprensa, que recebeu o ofício do Tribunal de Justiça de São Paulo, determinando o bloqueio do site, e "atendeu à decisão a partir de hoje (segunda-feira, 08/01)".
Já a Embratel informou que "está analisando tecnicamente o teor da decisão judicial a fim de viabilizar o seu cumprimento". A empresa entende que a decisão da Justiça pede o bloqueio apenas do vídeo da Cicarelli e está analisando como poderá cumprir a determinação sem retirar do ar todo o conteúdo do YouTube.
Filtro backbone
O método usado para bloquear o YouTube foi a instalação de um filtro no backbone internacional da empresa para impedir o tráfego de qualquer arquivo que venha do YouTube. Se o internauta ainda conseguir acessar o site nesta segunda-feira, é porque seu provedor utiliza conexões que passam pelos cabos de outras empresas com ligações deste tipo.
No Brasil, há cinco companhias com cabos submarinos ligados ao backbone da internet: a Brasil Telecom, a Telefónica Internacional, a Telecom Italia, Global Crossing e a Embratel. As outras empresas ainda não se pronunciaram sobre a medida restritiva, mas todas elas já devem ter recebido o despacho do desembargador.
"Medida inócua e perigosa"
Em nota enviada para BBC, a direção do YouTube informa que tirou o vídeo de Cicarelli na primeira ordem judicial, mas milhares de internautas já haviam feito o download das imagens e voltam a distribuir o conteúdo na rede mundial. Por isso, sempre que rastreia a volta do vídeo, a companhia o retira novamente do ar.
As entidades de provedores de acesso consideram a medida inócua e perigosa, pois pode se configurar como uma prerrogativa de censura ao internauta brasileiro.
A Abrafix, que reúne as operadoras de telefonia envolvidas na determinação judicial, preferiu não se manifestar.
(*com Agência Estado e Valor)
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