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Crianças testam primeiros protótipos do laptop de 100 dólares

22/12 - 14:30, atualizada às 15:21 22/12 - Carolina Ribeiro, repórter Último Segundo

SÃO PAULO – Um grupo de cerca de 20 crianças testou nesta sexta-feira os primeiros protótipos do laptop de 100 dólares, projeto da ONG One Laptop per Child (OLPC) - Um Laptop por Criança. Os testes aconteceram no Laboratório de Sistemas Integráveis (LSI), na Escola Politécnica da USP, em São Paulo.

“Esse teste foi feito para mostrar que os protótipos já existem. O Brasil recebeu 60 deles, dos quais 20 nos foram entregues (os demais seguiram para outros centros de estudos)”, afirmou Roseli de Deus Lopes, coordenadora do Núcleo de Aprendizagem Trabalho e Entretenimento do Laboratório de Sistemas Integráveis (LSI).

Celebrado pelos partidários da inclusão digital, o laptop de 100 dólares só pôde ser produzido após um acordo internacional que elevou a quantidade de unidades, possibilitando o baixo custo. Argentina, Nigéria, Líbia e Tailândia também fazem parte do projeto.

Além disso, “o importante foi desenvolver um produto concebido para ser usado por crianças, para ser usado na escola e esse produto não existia. Então surgiu idéias como a da manivela, para mostrar que a questão da energia é importante. Não que a solução fosse a manivela, mas pra chamar a atenção", explicou Roseli.

Filhos de amigos e funcionários do laboratório foram convidados para explorar o dispositivo. “Como o ano letivo já terminou foi difícil de organizar o teste. O computador chegou nas nossas mãos na terça-feira, nós configuramos rapidamente e organizamos nesta sexta para não ter que esperar até janeiro”, disse Irene Fischermann participante do projeto.

Lucas dos Santos, de 12 anos, nunca havia usado um laptop mas se familiarizou rapidamente com o produto. “Achei muito legal e muito interativo. Eu gosto porque você pode fazer trabalho ou se divertir.”, disse o menino, e completou, “seria legal pesquisar conteúdo das aulas”.

O pai de Lucas, Samuel dos Santos, funcionário da Poli, estava presente conferindo a participação dele e do irmão, Lécio. Segundo ele, esse é um passo muito importante “principalmente nas escolas públicas onde as crianças vão ter um acesso livre à tecnologia e informática. Além disso, vai trazer estímulo para a criança aprender e tirá-la da rua, onde ela estaria correndo perigo.”

Marina Beatriz, de 8 anos, também aprovou o laptop. “Eu nunca tinha mexido num computador na minha vida. É muito legal e é bem mais fácil do que parecia! Tem jogos, câmera fotográfica e um monte de coisas legais”, disse a menina, que mora em Diadema.

Além das crianças, dois professores de escolas municipais acompanharam o evento. “A gente está vendo como as crianças reagem, o que eles descobrem. Resolvemos deixá-los à vontade, sem orientar, sem mostrar o que ele faz. Eles têm que descobrir e acho que a questão é perguntar depois quais os maiores entraves que encontraram”, disse Valquíria Pires, professora de uma escola municipal do Jardim Miriam.

Em janeiro de 2007 deverão ser enviados mais mil computadores portáteis para o Brasil. Espera-se que eles cheguem às escolas públicas até meados de 2008.

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