O presidente sul-africano, Jacob Zuma, manifestou a revolta do país com a Federação Internacional de Atletismo (IAAF), ao denunciar o que considera a humilhação sofrida por Caster Semenya, campeã mundial dos 800 metros e centro de uma polêmica sobre seu sexo.

"Queremos mostrar nosso descontentamento pela maneira como a senhorita Semenya foi tratada", afirmou Zuma em uma cerimônia de recepção aos representantes do país no Mundial de Atletismo de Berlim.

Além da vitória de Semenya, a equipe sul-africana também conquistou as medalhas de ouro nos 800 metros masculinos (Mbulaeni Mulaudzi) e de prata no salto em distância (Khotso Mokoena).

"Uma coisa é esclarecer as dúvidas sobre se um atleta teve uma vantagem irregular ou não sobre os demais, mas outra diferente é humilhar publicamente uma atleta competente, honesta e profissional", declarou Zuma.

Em seu discurso, Semenya falou sobre a prova e disse ter sido muito superior às adversárias.

"Tomei a frente nos últimos 400 (metros) e as matei. Não puderam acompanhar meu ritmo. Foi genial", declarou a atleta.

A decisão da Federação Internacional de Atletismo (IAAF) de recorrer a um comitê de especialistas para investigar o sexo da jovem, de 18 anos, escandalizou a África do Sul.

Os resultados dos exames praticadas por ginecologistas, endocrinologistas e psicólogos só serão conhecidos em algumas semanas.

Depois da polêmica, Semenya chegou a cogitar não receber a medalha de ouro, conquistada com o tempo de 1:55.45, com cinco metros e dois segundos de vantagem sobre a queniana Janeth Jepkosgei e a britânica Jennifer Meadows.

Mais cedo, milhares de fãs ovacionaram Caster Semenya em seu desembarque no aeroporto de Johannesburgo.

"Nossa Grande Dama do esporte", afirmava um dos vários cartazes exibidos. "100% mulher, feminina", destacava outro.

O entusiasmo da recepção emocionou Semenya, que mostrou um grande sorriso depois de toda a tensão no Mundial de Berlim.

ip/fp

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.