Zimbábue vota o segundo turno eleitoral com Mugabe como candidato único

O Zimbábue votou nesta sexta-feira o segundo turno de uma eleição presidencial em que Robert Mugabe tem a vitória garantida, já que concorreu como único candidato após a retirada do líder da oposição, Morgan Tsvangirai.

AFP |

Os cerca de 9.000 sessões de votação abriram as suas portas às 03h00 de Brasília, em uma atmosfera sombria. Eles permanecerão abertas até 14h00, para que possam votar os 5,9 milhões de zimbabuenses aptos.

Mugabe, de 84 anos sendo 28 no poder, desde a independência do país, votou em um elegante bairro de Harare e disse à imprensa que se sentia "muito otimista" e "em plena forma".

Tsvangirai, o seu adversário até domingo, quando se retirou da disputa pela violência contra os seus partidários, descreveu o dia de "trágico".

"Hoje não é uma eleição. Hoje é um dia de humilhação e de vergonha, é mais um dia trágico na história da nossa nação", declarou o líder do Movimento para a Mudança Democrática (MDC), em uma carta aberta, em Johanesburgo.

"O resultado da eleição de hoje não tem sentido, uma vez que não reflete a vontade do povo do Zimbábue, só o seu medo", acrescentou, ao mesmo tempo em que pedia as pessoas para não votar.

Na realidade, houve alegações de que, em algumas zonas do país, funcionários inspecionam as cédulas antes dos eleitores as colocarem nas urnas.

"Não houve escapatória. Tive de votar em favor de Mugabe", disse à AFP, sem querer se identificar, um partidário do MDC, que foi incapaz de utilizar a cédula para exprimir o seu descontentamento.

Mais tarde, em declarações à imprensa, Tsvangirai lançou uma mensagem para a comunidade internacional, afirmando que qualquer pessoa que "reconhecer os resultados destas eleições estará negando a vontade de zimbabuenses.".

Tsvangirai agradeceu aos líderes africanos que estão trabalhando para uma solução negociada para que o "Zimbábue se una a nova África".

O candidato do MDC derrotou Mugabe no primeiro turno das eleições, em 29 de março. Nestas eleições, que foram também legislativas, o partido de Tsvangirai arrebatou a maioria do Zanu-PF de Mugabe na Câmara dos Representantes.

Nesse clima, os ministros de Relações Exteriores do G8, afirmaram nesta sexta que não reconhecem a legitimidade de um governo do Zimbábue que "não reflete a vontade do povo".

"Lamentamos as ações das autoridades do Zimbábue - violência sistemática, intimidação e obstrução - que tornaram impossível uma eleição livre e justa", observaram os oitos chefes da diplomacia dos países mais industrializados do planeta, reunidos em Kyoto (Japão).

Além disso, a secretária de Estado, Condoleezza Rice, disse nesta sexta-feira que os EUA irão consultar o Conselho de Segurança para considerar novas sanções da ONU.

bur-co/fb

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